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Guaidó chama Maduro de "cínico" por propor eleições parlamentares antecipadas

21/05/2019 20h21

Caracas, 21 Mai 2019 (AFP) - O líder da oposição Juan Guaidó chamou nesta terça-feira o presidente Nicolás Maduro de "cínico", por ter proposto a antecipação das eleições parlamentares para resolver a crise política na Venezuela.

"É muito cínico insinuar que ele está disposto a se submeter-se a uma eleição quando ele roubou em 2018. Dissociação, loucura", disse o chefe do Legislativo, o único poder nas mãos da oposição, em intervenção na Câmara.

Durante a sessão, a maioria opositora do Parlamento aprovou uma declaração que qualifica de "farsa" as eleições de 20 de maio de 2018, nas quais Maduro foi reeleito para um segundo mandato (2019-2025).

Recordando que o Congresso declarou ilegítimo o governante socialista, o texto defende "eleições democráticas" após o fim da "usurpação".

Maduro reiterou nesta segunda-feira sua proposta de avançar as eleições legislativas, que devem ser realizadas em dezembro de 2020, como forma de solucionar a crise, mas sem mencionar uma data.

A sugestão foi feita por Maduro diante de milhares de apoiadores convocados um ano após as eleições presidenciais, também antecipadas, nas quais ele foi reeleito até 2025. Essas eleições não foram reconhecidas pela oposição nem por Estados Unidos, União Europeia e países latino-americanos.

"Eu quero eleições já!", disse Maduro.

Em seu discurso, Guaidó também denunciou a Assembleia Constituinte, que na segunda-feira aprovou uma medida para continuar atuando como potência plenipotenciária até 31 de dezembro de 2020.

"É cínico dizer à Venezuela que vão ampliar um período de uma Constituinte que não existe, quando nos últimos três meses eles não falaram nem uma vez sobre o problema da água, da gasolina", disse.

Na prática, a Assembleia Constituinte substituiu as funções do Parlamento, declarado em desacato pelo Supremo Tribunal de Justiça, acusado de servir ao governo.

Guaidó pediu mais uma vez às Forças Armadas para darem as costas a Maduro, a quem o alto comando ratificou seu apoio após a fracassada rebelião de um grupo de soldados contra ele, liderada pelo líder da oposição em 30 de abril.

"Chegou o momento, senhores das Forças Armadas, de dar um passo, não estamos pedindo mais nada (...) é o momento de agir, falar, ficar do lado da Constituição", disse Guaidó, em uma sessão para a qual a Guarda Nacional, que protege o Palácio Legislativo, proibiu a entrada da imprensa.

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