Topo

Eleições europeias: cinco candidaturas singulares

2019-05-23T08:52:00

23/05/2019 08h52

Bruxelas, 23 Mai 2019 (AFP) - Um refugiado somali ambientalista, um separatista na prisão e o bisneto de um ditador estão na briga pelos 751 assentos do Parlamento europeu, com candidatura ou campanha pouco comuns.

Veja baixo cinco candidaturas singulares nas eleições europeias, que começam nesta quinta-feira (23) e vão até 26 de maio:

- O grego Varoufakis, em Berlim -Em 2015, no auge da crise grega, ele era o pesadelo do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que exigia de Atenas cortes drásticos em troca de empréstimos. Quatro anos depois, Yanis Varoufakis é candidato nas eleições europeias... Em Berlim.

Este economista de 58 anos lidera a lista Democracia na Europa, partido político alemão que faz parte do movimento transnacional e antissistema DiEM25 - que o grego contribuiu para lançar no começo de 2016.

Com menos de 1% de intenções de voto nas pesquisas, o ex-ministro de Finanças optou pela Alemanha, que tem regras eleitorais mais favoráveis - e não prevê um mínimo de votos para entrar no sistema de eleição proporcional.

Sua lista milita por um "New Deal verde" e pela transmissão de todas as reuniões de dirigentes europeus e do Banco Central Europeu (BCE) - este último visto por muitos gregos como responsável pelas políticas de austeridade de seu país nos últimos anos.

- Bisneto de Mussolini, na Itália -Caio Giulio Cesare é o segundo descendente de Mussolini que se lança na aventura do Parlamento, após Alessandra, eurodeputada desde 2014 e neta do Duce.

Bisneto do ditador italiano, este ex-oficial da Marinha de 51 anos, nascido na Argentina, é o décimo na lista do partido de ultra direita Irmãos da Itália, do sul italiano.

Embora seja difícil ser eleito, este empresário tem como prioridades acabar com a sede do Parlamento Estrasburgo - "um desperdício" - e dar mais poder aos eurodeputados.

- Refugiado somali ecologista, no Reino Unido -Magid Magid, nascido na Somália há 29 anos, se refugiou no Reino Unido quando era criança e cresceu em um bairro pobre da cidade industrial de Sheffield, no norte da Inglaterra.

Este candidato dos Verdes britânicos ao Parlamento quer se tornar a voz dos jovens e dos refugiados, embora suas possibilidades de ser eleito sejam muito baixas.

Em campanha recentemente em Londres, usava uma camiseta com o lema "Inmigrants Make Britain Great", uma referência ao slogan de campanha de Donald Trump.

Seu instinto para chamar atenção para as causas ficou claro em 2017, quando correu a meia maratona de Sheffield fantasiado de árvore para protestar contra a política local de desmatamento.

- Separatista preso, na Espanha-O ex-vice-presidente separatista catalão, Oriol Junqueras, em prisão preventiva na Espanha, é o líder dos regionalistas europeus nas eleições e, portanto, seu candidato simbólico à presidência da Comissão Europeia.

Este professor de 50 anos de idade, que enfrenta 25 anos de prisão no processo em curso pela tentativa de independência da Catalunha, em outubro de 2017, já conhece o Parlamento Europeu, onde atuou como deputado europeu de 2009 a 2011.

Visto como o grande rival de Carles Puigdemont por liderar o movimento de independência catalão, Junqueras se beneficia de certa aura de mártir por não ter deixado a Espanha, assim como o primeiro, que vive na Bélgica e também se opõe a se tornar deputado europeu.

As pesquisas dão à coalizão de esquerda que Junqueras lidera duas ou três vagas no Parlamento, mas ele terá que renunciar ao cargo se quiser manter seu mandato na Câmara dos Deputados da Espanha, para a qual foi eleito em abril.

- Mulher transexual, na Polônia -Anna Grodzka já fez história na Polônia. Em 2011, se tornou a primeira deputada transexual deste país muito católico.

Aos 65 anos, tenta chegar ao Parlamento europeu pelo pequeno partido de esquerda Razem, mas com poucas chances: não encabeça a lista, e as intenções de voto em seu partido são baixas.

Mulher trans, Grodzka diz ter compreendido rapidamente que seu corpo não combinava com sua identidade. Aos 11 anos, já começou a se referir a si mesma como Anna em seus diários.

Quando ainda não tinha feito a transição de gênero, esta ex-editora se casou com uma mulher e teve um filho. Foi depois de seu divórcio, em 2007, que começou o processo de transição.

A política participou da criação da Trans-Fuzja, fundação de aconselha transexuais e apoia o movimento LGTB.

Mais Internacional