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Na Argélia, 14ª sexta-feira de protestos tem dezenas de detidos

2019-05-24T14:20:00

24/05/2019 14h20

Argel, 24 Mai 2019 (AFP) - A polícia argelina prendeu dezenas de pessoas nesta sexta-feira de manhã (24), perto da Praça dos Correios em Argel, onde começou a manifestação na 14ª sexta-feira de protestos para exigir a renúncia de várias figuras do regime e a suspensão das eleições presidenciais previstas para 4 de julho.

As detenções e a mobilização policial no centro da capital argelina, maior do que nas sexta-feiras anteriores, não impediram que centenas de pessoas protestassem nos arredores da Praça dos Correios e pelas ruas do centro da cidade, após o final da oração muçulmana de sexta-feira no início da tarde.

"Vi que a polícia chamava a atenção de todos aqueles que levavam cartazes", disse à AFP Mehenna Abdeslam, uma manifestante que trabalha como professora na Universidade de Bab Ezzuar, em Argel. "Não vamos parar" de protestar, completou.

Um jornalista da AFP presenciou a detenção de uma mulher na parte da manhã.

Uma fila de carros da polícia e um cordão de isolamento de agentes do Batalhão de Choque impediram os manifestantes de se aproximarem da Praça dos Correios, onde fica um emblemático edifício de Argel e epicentro, desde 22 de fevereiro, de um grande movimento de contestação contra o governo.

Depois de os manifestantes se apropriarem deste "território" simbólico para os protestos, a escadaria do prédio dos Correios foi ocupada por barreiras de contenção ao longo da semana - oficialmente por motivos de segurança.

Os manifestantes continuam exigindo o desmantelamento do "sistema" que governa o país há décadas e a destituição de seus principais dirigentes, como o presidente interino Abdelkader Bensalah, ou o primeiro-ministro Nureddin Bedui e o general Gaid Salah. Todos eles são fiéis ao presidente destituído Abdelaziz Buteflika.

O governo convocou eleições para 4 de julho para escolher o sucesso de Buteflika.

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