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Mulher fica cega com explosão de bomba de gás lacrimogêneo no Chile

27.nov.2019 - Em Santiago, manifestantes entram em confronto com a polícia durante protesto contra o governo chileno - Claudio Reyes/AFP
27.nov.2019 - Em Santiago, manifestantes entram em confronto com a polícia durante protesto contra o governo chileno Imagem: Claudio Reyes/AFP

27/11/2019 23h44

Santiago, 28 Nov 2019 (AFP) - Uma mulher de 36 anos ficou cega após ser atingida no rosto por uma bomba de gás lacrimogêneo durante distúrbios em Santiago, em meio à crise social que abala o Chile, informou nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH).

O INDH anunciou que apresentará uma ação contra o Corpo dos Carabineiros "pelo homicídio frustrado" de Fabiola Campillay, de 36 anos, que como denunciaram sua irmã e seu marido "recebeu uma (bomba) lacrimogênea no rosto e perdeu os dois olhos".

O incidente ocorreu na noite de terça-feira, quando Campillay se dirigia ao trabalho no bairro de San Bernardo (sul de Santiago) e ocorriam distúrbios na ferrovia que corta a região.

A mulher foi levada ao centro médico de San Bernardo para ser atendida por diversos ferimentos, na cabeça e no rosto.

O INDH também denunciou nesta quarta-feira que o fotógrafo chileno Claudio Pérez, que trabalha para o Instituto, foi agredido pela polícia quando cobria um protesto feminista em Santiago.

"Voltava para casa à noite após uma manifestação pacífica por ocasião do Dia Internacional Contra a Violência contra a Mulher quando sofri o ataque policial", contou Pérez, 62 anos, à AFP.

Segundo o fotógrafo, ele caminhava pela Avenida Alameda com outras pessoas, no trecho do Cerro Santa Lucía, quando surgiram "uns 6 ou 10 pacos (policiais) gritando algo incompreensível".

Pérez, que carregava as credenciais do INDH e um capacete com câmera GoPro, acionou "por instinto o botão da câmera para gravar a situação", que ficou registrada em vídeo.

A gravação mostra Pérez exibindo sua credencial enquanto é agredido, tem sua câmera arrancada e recebe golpes de cassetete nos glúteos.

Pérez grita: "tenho 62 anos, sou um avô...".

Já no chão, Pérez é insultado por estar filmando os Carabineiros.

Finalmente, os policiais se afastam e chegam as brigadas de voluntários paramédicos para socorrer o grupo.