PUBLICIDADE
Topo

Bombardeios incessantes provocam êxodo em massa na Síria

Crianças no vilarejo rural Saharah, entre as províncias de Aleppo e Idlib - Ibrahim Yasouf/AFP
Crianças no vilarejo rural Saharah, entre as províncias de Aleppo e Idlib Imagem: Ibrahim Yasouf/AFP

Da AFP, em Beirute

18/02/2020 13h40

Dois meses após a retomada de sua ofensiva para recuperar o controle da região de Idlib, o regime sírio de Bashar al-Assad bombardeia de forma incessante o último grande reduto de jihadistas e rebeldes, o que causou o êxodo de cerca de um milhões de pessoas.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, disse nesta terça-feira estar "horrorizada" com a violência no noroeste da Síria e exigiu "corredores humanitários" para facilitar a passagem de civis em segurança.

Com os combates e ataques conduzidos pelo regime de Assad e seu aliado russo, cerca de 900.000 pessoas fugiram da região de Idlib e arredores desde 1º de dezembro, a grande maioria mulheres e crianças, informou a ONU na segunda-feira, reiterando seu apelo por um cessar-fogo.

Esse êxodo é inédito desde o início da devastadora guerra na Síria em 2011, que já deixou mais de 380.000 mortos e milhões de deslocados.

Os civis em fuga "estão traumatizados e são forçados a dormir ao ar livre com temperaturas congelantes, já que os campos (de refugiados) estão lotados", disse o vice-secretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, em comunicado.

"As mães queimam plástico para aquecer seus filhos. Bebês e crianças pequenas morrem de frio", lamentou.

As famílias mais sortudas encontram um lugar nos acampamentos informais para deslocados, onde dezenas de milhares de pessoas tentam sobreviver em condições insalubres. As outras passam a noite em seu veículo ou montam uma barraca improvisada no meio dos acampamentos.

Quase diariamente na província de Idlib e arredores, as estradas são invadidas por caminhões e carros carregados com os pertences daqueles que fogem para a fronteira com a Turquia, disseram correspondentes da AFP.

- Escolas e hospitais bombardeados -"A violência no noroeste da Síria é cega", disse Lowcock. "Instalações de saúde, escolas, áreas residenciais, mesquitas e mercados estão sob ataque", acrescentou.

Mas o regime não parece disposto a interromper sua ofensiva, apesar dos pedidos de cessar-fogo, depois que suas forças, ajudadas pela Rússia, Irã e Hezbollah libanês, recuperaram o controle de 70% do território.

Assad alertou na segunda-feira que continuará a ofensiva. "A batalha pela libertação das províncias de Aleppo e Idlib continua", disse ele.

Os jihadistas do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, antiga facção síria da Al-Qaeda) dominam mais da metade de Idlib, bem como áreas nas províncias de Aleppo, Hama e Lataquia, onde outras facções jihadistas também operam, além de grupos rebeldes.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), mais de 380 civis morreram desde meados de dezembro na ofensiva.

As forças do governo estão atualmente concentrando suas operações no oeste de Aleppo, informou o OSDH, relatando ataques aéreos russos nesta terça no oeste dessa província e em setores de Idlib.

As forças do regime tentam avançar "na direção da montanha Sheikh Barakat", que domina vastas regiões no oeste de Aleppo e norte de Idlib, perto da fronteira com a Turquia, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Rahman ressalta que, se o regime tomar Sheikh Barakat, "os campos de deslocados que abrigam dezenas de milhares de pessoas poderão ficar ao alcance de sua artilharia".

No domingo, as forças do governo, com o apoio da força aérea russa, reconquistaram localidades próximas à cidade de Aleppo, repelindo os ataques de jihadistas e rebeldes, que dispararam foguetes.

Internacional