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Bolsonaro pede para 'retomar empregos' após substituir Mandetta

17/04/2020 15h38

Brasília, 17 Abr 2020 (AFP) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira (17) a volta das atividades econômicas após demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por divergências sobre as medidas de isolamento social para conter a propagação do novo coronavírus.

Na direção oposta, os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro prorrogaram as quarentenas parciais em seus estados, que permitem apenas a atividade comercial considerada essencial.

"Essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro. Se agravar, vem no meu colo. Agora, o que eu acredito, e que muita gente já está tendo consciência, é que tem que abrir", afirmou Bolsonaro durante a posse do seu novo ministro da Saúde, Nelson Teich.

Após várias semanas de confrontos, Bolsonaro demitiu Luiz Henrique Mandetta, um fiel defensor das medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotadas por governadores de vários estados brasileiros.

"A visão do Mandetta, muito boa, é a da saúde e da vida. A minha, além da saúde e da vida, entrava Paulo Guedes, entrava na economia, no emprego. Desde o começo tinha uma visão, e ainda tenho, de que devemos abrir o emprego. Porque o efeito colateral do combate (ao vírus) não pode ser mais danoso do que o próprio remédio", afirmou Bolsonaro ao justificar a substituição de Mandetta.

Teich, um oncologista de 62 anos, não apresentou propostas concretas em seu breve discurso inaugural, mas insistiu que é preciso equilibrar as duas visões.

"Por mais que você fale em saúde, por mais que você fala em economia, não importa o que você fala, o final é sempre gente. Isso que a gente veio fazer aqui, trazer uma vida melhor para a sociedade e para as pessoas do Brasil", afirmou o novo ministro da Saúde.

O próprio Bolsonaro admitiu que não tem poder para impor sua visão dos governadores de cada estado, que tem autonomia para definir medidas adotadas contra a pandemia.

Até a quinta-feira, a COVID-19 havia matado 1.924 pessoas no Brasil, um país de mais de 210 milhões de habitantes, e as autoridades confirmaram 30.425 contágios, ainda que especialistas apontem que na realidade esse número possa ser até 15 vezes maior por causa da falta de exames e dos casos assintomáticos.

São Paulo, o estado mais afetado pela epidemia, prorrogou até 10 de maio a restrição aos serviços não essenciais estipulada no final de março.

O Rio de Janeiro, sob medidas similares, ampliou a quarentena até 30 de abril.

A saída de Mandetta é vista com preocupação por muitos brasileiros, que temem um efeito rebote nos contágios caso as medidas sejam flexibilizadas.

"Foi uma má ideia (a retirada de Mandetta do cargo), porque estava fazendo um bom trabalho, passava segurança para as pessoas, pedia a elas que ficassem em casa", lamenta Marcelo Ferreira, um policial no Rio de Janeiro.

bur-mel/pr/yow/bn/mvv

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