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Caso George Floyd: tropas ocupam ruas dos EUA após protestos violentos contra o racismo

A Guarda Nacional dos EUA em frente à Fairfax Avenue, em Los Angeles, em meio a protestos antirracistas - VALERIE MACON / AFP
A Guarda Nacional dos EUA em frente à Fairfax Avenue, em Los Angeles, em meio a protestos antirracistas Imagem: VALERIE MACON / AFP

Minneapolis, Estados Unidos

31/05/2020 17h27

Milhares de soldados patrulhavam neste domingo as principais cidades americanas, após cinco noites consecutivas de protestos contra o racismo e a violência policial. O presidente americano, Donald Trump, atribui os distúrbios à violência de radicais da esquerda.

A indignação tomou proporção nacional após a morte de George Floyd em Mineápolis. O homem negro de 46 anos foi morto por um policial branco que pressionou o pescoço da vítima com o joelho durante uma abordagem na última segunda-feira.

"Não podemos e não devemos permitir que um pequeno grupo de criminosos e vândalos destrua nossas cidades e provoque devastação em nossas comunidades", disse Trump ontem. "Meu governo irá interromper a violência da multidão", advertiu o presidente americano, que acusou o grupo Antifa (antifascista) de orquestrar a escalada.

Na noite de ontem, a violência também ganhou as ruas de Nova York, Filadélfia, Dallas, Las Vegas, Seattle, Des Moines, Memphis, Los Angeles, Atlanta, Miami, Portland, Chicago e Washington D.C.. Os governadores dos estados envolvidos convocaram a Guarda Nacional e, em alguns, foi decretado toque de recolher.

Cerca de 5 mil soldados da Guarda Nacional foram mobilizados em 15 estados e na capital, e outros 2 mil estavam prontos para intervir se necessário, anunciou neste domingo a corporação. Segundo Tim Walz, governador de Minnesota, os responsáveis pelo caos podem ser anarquistas, supremacistas brancos ou narcotraficantes.

Protestos após morte de segurança negro nos EUA

Críticas da oposição

Trump disse ontem aos manifestantes que chegavam muito perto da Casa Branca que iria recebê-los com "os cães mais ferozes e as armas mais perigosas", ameaça denunciada pela oposição democrata.

"Ele deve unir o nosso país, não aumentar o fogo", criticou hoje a presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, em entrevista à rede de TV ABC.

O rival democrata de Trump na eleição presidencial de novembro, Joe Biden, condenou a violência, mas afirmou que os americanos têm o direito de se manifestar. "Protestar contra tal brutalidade é correto e necessário. É uma resposta totalmente americana", afirmou. "Mas queimar comunidades e destruição desnecessária, não. Violência que coloca vidas em risco não é. Violência que destrói e fecha negócios que atendem à comunidade não é."

Corpo encontrado

O corpo de um homem foi encontrado na madrugada deste domingo perto de um veículo incendiado em Minneapolis, informou a polícia da cidade. O cadáver, ainda não identificado, apresenta sinais evidentes de traumatismo, afirmou John Elder, porta-voz da polícia, antes de indicar que a unidade de homicídios da cidade investiga o caso. Ainda não foi determinado se o óbito está vinculado aos protestos na cidade desde a morte de George Floyd.

De Seattle a Nova York, dezenas de milhares de manifestantes exigiram acusações mais duras contra os policiais envolvidos na morte de Floyd, que foi a óbito depois que o policial Derek Chauvin o deixou de bruços no chão por quase nove minutos, apoiando o joelho contra o pescoço da vítima.

Na última sexta-feira, Chauvin foi acusado de assassinato em terceiro grau. Ele foi demitido, assim como os outros três policiais envolvidos na detenção, o que não foi suficiente para reduzir a indignação.

A morte de Floyd se tornou o mais recente símbolo da violência policial contra os cidadãos negros e provocou a maior onda de protestos dos últimos anos nos Estados Unidos. Manifestantes em todo o país gritaram frases como "Black Lives Matter" (A vida dos negros importa) e "Não consigo respirar", as palavras de Floyd antes de morrer.

Também houve protestos pacíficos, inclusive em Toronto, Canadá, em uma extensão internacional da indignação.

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