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Dez dias após explosão, novos corpos são encontrados em Beirute; juiz local assume investigação

Os restos mortais de dois dos três bombeiros desaparecidos após a explosão em Beirute foram identificados - ALKIS KONSTANTINIDIS
Os restos mortais de dois dos três bombeiros desaparecidos após a explosão em Beirute foram identificados Imagem: ALKIS KONSTANTINIDIS

Da AFP, em Beirute

14/08/2020 10h47

As equipes de resgate encontraram, nesta sexta-feira (14), os corpos dos bombeiros mortos na trágica explosão do porto de Beirute há dez dias, ao mesmo tempo que as autoridades libanesas, contrárias a uma investigação internacional, atribuíram o caso a um juiz local. Graças a exames de DNA, os restos mortais de dois dos três bombeiros da mesma família que eram considerados desaparecidos foram identificados.

A capital do Líbano, devastada pela tragédia, continua recebendo autoridades estrangeiras. Uma comitiva brasileira liderada pelo ex-presidente Michel Temer chegou ao país na quarta-feira. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, se reunirá nesta sexta-feira com representantes do governo.

A ministra da Defesa da França, Florence Parly, e o número três da diplomacia dos Estados Unidos, David Hale, chegaram à cidade ontem.

A comunidade internacional deseja um governo neutro para coordenar a ajuda ao Líbano, após a renúncia do gabinete do primeiro-ministro Hassan Diab. A população acusa a classe política de responsabilidade, por negligência ou corrupção, na explosão de 4 de agosto que deixou pelo menos 171 mortos e 6.500 feridos.

No porto destruído, as equipes de resgate continuam encontrando vítimas da explosão provocada por uma grande quantidade de nitrato de amônio armazenado em um depósito. Todo o país sabia da presença no meio da cidade de toneladas desta substância há seis anos, como admitiram algumas autoridades e fontes das forças de segurança.

"Sem funerais"

"Não organizaremos um funeral antes de encontrar Charbel Karam", o terceiro bombeiro da mesma família, afirmou à AFP Mayane Nassif, parente de uma das vítimas. Até o momento foram encontrados os restos mortais de sete dos 10 bombeiros que trabalhavam para tentar conter o incêndio.

Os libaneses já estavam sufocados pela crise econômica e a explosão provocou o retorno do movimento de protesto iniciado em 2019 contra a classe política, acusada de corrupção, incompetência e negligência.

Diante da fúria das ruas, o governo de Diab renunciou na segunda-feira (10). Seu sucessor deve ser designado pelo chefe de estado, Michel Aoun, com base em consultas com os blocos parlamentares que representam os partidos políticos tradicionais, rejeitados pelos manifestantes.

Sem investigação internacional

Hale, subsecretário de estado para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, que se reuniu com o presidente Aoun, pediu a formação de um governo "que responda à vontade do povo, verdadeiramente comprometido e que atue pela reforma".

A França também pressiona neste sentido. A ministra da Defesa do país participou em uma cerimônia de entrega de alimentos e material de construção.

As autoridades libanesas designaram o juiz Fadi Sawan para investigar as causas da explosão.

Mas ele não interrogará vários ministros e ex-ministros sobre o nitrato de amônio armazenado no porto: estas pessoas devem comparecer a um organismo especial.

Hale anunciou ontem que o FBI se uniria à investigação "por convite" das autoridades libanesas. Paris abriu uma investigação sobre a explosão.

As autoridades libanesas rejeitam uma investigação internacional, apesar das vozes no Líbano e no exterior que exigem tal medida. Especialistas da ONU defenderam uma investigação independente e rápida, expressando preocupação com a "impunidade" da qual, segundo eles, gozam os políticos libaneses.

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