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Forças de segurança nigerianas retomam gradualmente o controle de Lagos

Um imóvel pega fogo em Lagos, Nigéria, durante toque de recolher - HANDOUT/via REUTERS
Um imóvel pega fogo em Lagos, Nigéria, durante toque de recolher Imagem: HANDOUT/via REUTERS

23/10/2020 09h28

As forças de segurança nigerianas retomam hoje paulatinamente o controle da megalópole de Lagos, onde ouviam-se disparos esporádicos, em meio a três dias de protestos e distúrbios no sul da Nigéria.

"Oficiais da polícia patrulham nos bairros da cidade para garantir a segurança. Permaneçam em suas casas", tuitou a polícia, horas depois que o presidente Muhammadu Buhari alertou em um discurso que não permitirá que "ninguém nem nenhum grupo coloque a paz e a segurança nacional em perigo".

Nos bairros populares, a tensão diminuiu após a repressão na terça-feira pelas forças de segurança contra milhares de manifestantes pacíficos em Lagos, que causou ao menos 12 mortes segundo a ONG Anistia Internacional.

Os dois dias seguintes foram marcados por saques, incêndios e distúrbios na capital econômica do país, de 20 milhões de habitantes.

Milhares de jovens nas grandes cidades da Nigéria, inicialmente mobilizados via redes sociais, estão há 15 dias indo às ruas para denunciar a violência policial e a ineficácia e corrupção do poder central.

Desde o início das manifestações há duas semanas, um total de 56 pessoas morreram em todo o país, segundo a ONG.

O governador de Lagos divulgou a lista de policiais "acusados na Justiça por violação dos direitos humanos", como sinal de compromisso para "reconstruir Lagos e acabar com a impunidade policial".

A Anistia Internacional pediu, nesta sexta-feira, "a abertura imediata de uma investigação independente", especialmente sobre as mortes em Lekki, onde na terça-feira morreram 10 pessoas, segundo essa ONG, comovendo não só o país, mas também o exterior.

O presidente Buhari, ex-militar golpista nos anos 1980 e depois eleito democraticamente em 2015 e em 2019, não mencionou a repressão em seu discurso de hoje e convidou a comunidade internacional, que condenou em massa a ação policial, "a esperar que tenham todos os elementos nas mãos antes de julgar".

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