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Com Biden, EUA devem negociar acordo de desarmamento nuclear com a Rússia

Democratic presidential nominee Joe Biden speaks at a get-out-the-vote drive-in rally at Cleveland Burke Lakefront Airport on November 02, 2020 in Cleveland, Ohio. One day before the election, Biden is campaigning in Ohio and Pennsylvania,  key battleground states that President Donald Trump won narrowly in 2016. (Photo by Drew Angerer/Getty Images) - Drew Angerer/Getty Images
Democratic presidential nominee Joe Biden speaks at a get-out-the-vote drive-in rally at Cleveland Burke Lakefront Airport on November 02, 2020 in Cleveland, Ohio. One day before the election, Biden is campaigning in Ohio and Pennsylvania, key battleground states that President Donald Trump won narrowly in 2016. (Photo by Drew Angerer/Getty Images) Imagem: Drew Angerer/Getty Images

15/01/2021 13h50

Quando o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, entrar na Casa Branca na próxima semana, seu governo terá que negociar rapidamente com a Rússia para salvar o importante tratado de desarmamento New Start.

O texto, que limita os arsenais nucleares das duas potências, expira em 5 de fevereiro, 16 dias após a posse de Biden. É o último grande acordo de redução de armas entre os dois antigos rivais da Guerra Fria.

O prazo se aproxima e tanto Moscou quanto Washington terão que chegar a um acordo e deixar de lado o lamentável estado de suas relações, muito degradadas por suas divergências na maioria dos assuntos internacionais e por acusações de interferência eleitoral, espionagem e ciberataques.

O desafio é fazer com que o tratado, muito importante para as duas potências, não desapareça, garantiu Elena Chernenko, do jornal russo Kommersant, que acompanhou de perto as negociações nos últimos meses.

"O tratado limita a possibilidade de um dos lados estar errado sobre as intenções ou planos do outro, como vimos isso acontecer várias vezes durante a Guerra Fria, o que levou a momentos muito perigosos", explicou ela à AFP.

O acordo em questão também terá que definir as prioridades orçamentárias dos dois países, disse o jornalista Vladimir Frolov. Uma extensão potencial do New Start determinará, portanto, "se mais dinheiro será gasto do que o necessário em aparatos nucleares, em proporção [ao que foi gasto] na saúde", disse ele à AFP.

O tratado New Start foi assinado em 2010 pelos então presidentes americanos Barack Obama e o russo Dmitri Medvedev, em um momento em que ambas as potências tentavam "reiniciar" suas relações.

O texto estabelece um máximo de 1.550 ogivas nucleares de cada lado, além de um máximo de lançadores e bombardeiros, número que, no entanto, seria suficiente para destruir a Terra várias vezes.

- Pressão e concessões -Joe Biden tem muito a ganhar se conseguir um sucesso diplomático nas primeiras semanas de sua presidência, mas isso não impede que uma parte da classe dominante de seu país (o 'establishment') o pressione, ansioso para que Washington mantenha uma linha dura com Moscou.

No ano passado, legisladores dos EUA pediram que a Rússia fosse punida por uma onda de ataques cibernéticos perpetrados contra administrações e empresas americanas. Moscou já foi sancionada por Washington em diversas ocasiões por diversos motivos, aos quais se somam as expulsões mútuas de diplomatas.

Ainda assim, o futuro conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, indicou em janeiro que o presidente eleito havia pedido a sua equipe para começar a refletir sobre o prolongamento do New Start.

Em Moscou, o presidente Vladimir Putin propôs recentemente que o acordo fosse prorrogado por um ano sem pré-condições e pediu a seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, que obtivesse uma resposta "coerente" dos Estados Unidos a essa proposta.

O último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que se destacou pelos tratados de desarmamento na Guerra Fria, disse esta semana que esperava que Biden aprovasse uma extensão do Novo Começo e exigiu que ambos os lados "negociassem reduções futuras".

O último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que se destacou pelos tratados de desarmamento na Guerra Fria, disse esta semana que esperava que Biden aprovasse uma extensão do New Start e exigiu que ambos os lados "negociassem reduções futuras".

Segundo Vladimir Frolov, a Rússia espera que o tratado seja prorrogado, pois isso permitiria modernizar suas capacidades nucleares em seu próprio ritmo, sem se precipitar em uma corrida armamentista.

As negociações para estender o tratado estão paralisadas há meses sob a presidência de Donald Trump, que exigiu que a China, outra grande potência nuclear, fosse incluída na limitação de armas. Mas Pequim mostrou pouco interesse em atender ao pedido.

Com a ascensão de Biden ao poder, essa condição deve desaparecer.

"Agora, há adultos na sala dos EUA e, apesar dos elementos de discórdia, este pode ser um dos pontos onde Moscou e Washington serão capazes de chegar a um acordo", disse Chernenko.

jbr/pop/mp/jvb/mar/ap

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