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Medo toma conta dos passageiros após acidente no metrô da Cidade do México

Medo toma conta dos passageiros após acidente no metrô da Cidade do México - Pedro Pardo/AFP
Medo toma conta dos passageiros após acidente no metrô da Cidade do México Imagem: Pedro Pardo/AFP

04/05/2021 17h28

"Já estávamos viajando com medo, mas agora mais", disse Brenda no metrô da Cidade do México, um dia depois de 24 pessoas terem morrido quando um trecho da área elevada por onde o trem passa desabou.

"Dizem que fazem manutenção, mas me parece que não, o que me faz dizer que os cinco pesos [24 centavos de dólar] que pagamos [por viagem] são roubados", acrescenta uma mulher indignada na estação da Candelária, perto do centro histórico.

Aos 30 anos e operária de uma fábrica de calçados, Brenda continua chocada com as imagens de equipes de resgate tentando retirar passageiros dos veículos, que ficaram pendurados no viaduto a cerca de 12 metros de altura na noite de segunda-feira.

Antes de sair de casa nesta terça-feira(4) de manhã, seus três filhos e sua mãe deram-lhe a bênção. "Tudo acontece com este metrô, mas não há outro", continua enquanto ajusta a máscara que a protege do coronavírus.

A linha 12 do metrô, onde ocorreu o acidente, já apresentava problemas no projeto, operação e manutenção dos trilhos, segundo estudo de 2014 contratado pela Prefeitura da capital.

O resto da rede também tem problemas de segurança. Em janeiro, um incêndio nas instalações de controle do metrô deixou uma pessoa morta e 29 intoxicadas.

Em março de 2020, dois trens colidiram dentro de uma estação, deixando um morto e 41 feridos.

"Tudo treme"

O metrô é o principal meio de transporte na capital e na região metropolitana, onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas, e há vários anos as reclamações dos usuários sobre a falta de manutenção são frequentes.

Ao lado da janela de um vagão da Linha 4, que sobe até dez metros em alguns trechos, Fernando Domínguez, guarda particular de 42 anos, garante que tem medo de sofrer um acidente.

"Uso essa mesma linha para ir trabalhar há mais de 10 anos e nunca vi ninguém fazendo manutenção de nada, e bem nessa peça tudo se sacode, como se fosse cair", diz ele com a testa suada. Os passageiros que viajam com ele estão em silêncio.

Quando o trem desacelera suavemente, eles se viram nervosos.

"Uma coisa é que ele desacelera [o metrô] quando desce, mas aqui em cima, depois de ontem, assusta mais", diz Agustín Suárez, contador aposentado de 70 anos.

"Eu não sei porque ele pegou o metrô"

Pelo menos 24 pessoas morreram e outras 80 ficaram feridas no acidente. Em um hospital na zona leste da cidade, perto do cenário da tragédia, Juan Luis Díaz, de 17 anos, chorava pelo pai, que morreu ao amanhecer.

"Meu pai era motorista, costumava viajar de caminhão [ônibus], não pegava metrô, não sei por que pegou o metrô, infelizmente era a vez dele", lamentou o jovem à AFP.

No mesmo centro médico, Daniel Hernández, 28, lutava por sua vida. "A situação é muito delicada, à noite o operaram para uma contração abdominal, o sangue foi para os pulmões", disse seu tio Jorge Hernández.

O jovem foi levado de helicóptero para outro hospital, enquanto a família aguardava mais detalhes sobre sua saúde, acrescentou o tio.

No Hospital Geral de Tláhuac, um casal procurava o vizinho José Galindo, que teria sido esmagado em seu carro quando as colunas de concreto desabaram.

A vítima de 34 anos estava com sua esposa. "Não sabemos se ele está vivo ou morto. Seu padrasto nos disse que o rapaz já havia morrido, mas um repórter gravou um vídeo que mostra ele preso e pedindo ajuda", disse José Luis Vigil à AFP.

"O carro ainda está embaixo da coluna. Sabemos que ela [a esposa] está viva", acrescentou.

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