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Anti-máscaras alemães se apropriam da imagem de ícone da resistência ao nazismo

Arquivo - Manifestantes se reúnem em ato para exigir fim das medidas restritivas contra a covid-19 em Kassel, Alemanha - Armando Babani/AFP
Arquivo - Manifestantes se reúnem em ato para exigir fim das medidas restritivas contra a covid-19 em Kassel, Alemanha Imagem: Armando Babani/AFP

08/05/2021 15h23

O movimento anti-máscara na Alemanha - que afirma ser uma organização para "resistir" às restrições anticovid - tenta se apropriar da imagem de Sophie Scholl, uma estudante alemã nascida há 100 anos e executada pelos nazistas.

Em 22 de fevereiro de 1943, esta jovem e seu irmão mais velho, Hans Scholl, ambos membros de um pequeno grupo chamado "Rosa Branca", foram guilhotinados na prisão bávara de Stadelheim, após um processo expeditivo.

Seu crime? Ter publicado panfletos contra o Terceiro Reich no campus da Universidade de Munique. Os irmãos, protestantes e quando adolescentes membros de organizações nazistas, logo começaram a criticar os conflitos defendidos por Adolf Hitler, especialmente no leste.

Mais do que os demais integrantes do grupo, Sophie, nascida em 9 de maio de 1921, tornou-se uma das personalidades mais admiradas da Alemanha.

As fotos que a mostram sorrindo, de cabelos curtos, são reproduzidas em inúmeros materiais educativos, filmes e exposições. Centenas de escolas e ruas levam o seu nome em todo o país.

- Entre os "melhores" cidadãos -Em 2003, os alemães a escolheram como quarto lugar no ranking dos "melhores" cidadãos, atrás apenas de Konrad Adenauer, Martin Luther e Karl Marx.

Não é surpreendente, neste contexto, que a classe política muitas vezes faça alusões a essa estudante de biologia, mártir do nazismo.

A candidata ambientalista Annalena Baerbock, uma das favoritas para a sucessão de Angela Merkel à chanceler neste outono, recentemente a nomeou como uma de suas "heroínas".

Carola Rackete, ex-capitã do navio de resgate de migrantes "Sea Watch 3", garantiu que se Sophie Scholl estivesse viva seria a favor da luta contra a xenofobia e o extremismo.

Do outro lado do espectro político, o partido de extrema-direita AfD não hesitou, em 2017, em afirmar que a jovem necessariamente "votaria" nesse partido.

Em plena pandemia do novo coronavírus, outro grupo tenta se apropriar de sua imagem: é o movimento anti-máscara, muito ativo na Alemanha e que utiliza símbolos do nazismo sem escrúpulos.

Manifestantes foram vistos exibindo estrelas amarelas com as palavras "não vacinado". E outros, vestidos com uniformes de prisioneiros de campos de concentração, ironicamente levantam faixas onde lê-se "A vacinação liberta", versionando a famosa inscrição "O trabalho liberta" na entrada de Auschwitz.

Também há quem se compare a Anne Frank, outra vítima emblemática dos nazistas.

mat/smk/mab/es/bn

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