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Jovens comunistas se manifestam em Cuba por 'paz e tranquilidade'

Caravana da União de Jovens Comunistas em Havana, Cuba - Adalberto Roque/AFP
Caravana da União de Jovens Comunistas em Havana, Cuba Imagem: Adalberto Roque/AFP

05/08/2021 17h41

Milhares de jovens comunistas de Cuba tomaram o emblemático Malecón e algumas praças de Havana nesta quinta-feira (5) em uma movimentada manifestação, três semanas após os protestos antigoverno sem precedentes que sacudiram a ilha e em meio a um pico de casos de covid-19.

A manifestação convocada pela União de Jovens Comunistas de Cuba (UJC) "pela paz, o amor e a solidariedade" foi realizada 27 anos após o "Maleconazo", o único protesto massivo enfrentado por Fidel Castro após a vitória da revolução em 1959.

"Estou motivado a participar da convocação que nos fizeram e buscar paz e tranquilidade. É disso que precisamos!", disse à AFP Odalys Izquierdo, 29 anos, condutora de um mototáxi elétrico amarelo.

A jovem frisa que essa também é uma marcha contra as "confusões e coisas" geradas por milhares de manifestantes que saíram às ruas em julho.

Fartos da escassez de alimentos e remédios, os cidadãos saíram às ruas nos dias 11 e 12 para protestar aos gritos de "Temos fome", "Liberdade" e "Abaixo a ditadura" em mais de 40 cidades. Os distúrbios deixaram um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos.

Organizações civis estimam que mais de 700 pessoas foram presas, mas até agora as autoridades não confirmaram esse número. Autoridades judiciais, porém, informaram nesta quinta que 62 pessoas foram julgadas, a maioria por "desordem pública".

O presidente Miguel Díaz-Canel também se reuniu nesta quinta na Universidade de Havana com jovens camponeses, estudantes e trabalhadores independentes, entre outros. "Devemos ouvir nossos jovens como as pessoas mais importantes que são", declarou o presidente no Twitter.

Cuba sim, ianques não

Em uma manhã de sol, inúmeros carros, uma centena de ciclistas e motociclistas, além de patinadores, juntaram-se à manifestação para percorrer o Malecón, que amanheceu com forte presença policial.

Na jornada ao longo da orla de oito quilômetros, os manifestantes agitaram bandeiras cubanas e vermelhas do UJC. Eles foram acompanhados por um caminhão da era soviética com uma tela a bordo que transmitia shows e passeatas anteriores. Uma fila de pessoas na calçada acompanhou a passagem da caravana.

"Cuba sim, ianques não", gritavam os jovens comunistas ao passarem pelo prédio da embaixada dos Estados Unidos, localizada no Malecón.

"Precisamos marchar e continuar a revolução", disse Yoennis Quiala, um transportador particular de 34 anos que dirige um Chevrolet 1953 cor de terracota.

Quiala evocou o "Maleconazo", quando o protesto social em meio à crise econômica dos anos 1990 terminou com a chegada de Fidel Castro ao local para apaziguar a situação. "Como Fidel Castro era Fidel Castro, e as pessoas o viam marchar sempre à frente, quem era contra, depois ficou a favor", explicou.

E acrescentou que as revoltas de julho foram protagonizadas por "gente que sempre vai querer torcer a revolução, mas (...) quando você vê um povo que segue adiante, não importa o que se levante".

Passo controverso

As concentrações desta quinta-feira ocorrem no momento em que Cuba registra o segundo dia com mais mortes (93) por covid-19 desde que a ilha registrou seus primeiros casos em março de 2020. São 8.399 mortes e 431.013 infecções no total.

"Reiteramos a exortação" de "proteção, de distanciamento, (uso de) máscara, mas juntos para defender nossos princípios, nossa revolução, a soberania de Cuba", afirmou o chefe de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Francisco Durán, em sua coletiva de imprensa habitual.

Aglomerar-se com tantas pessoas "pode ser perigoso", admitiu Izquierdo. "Mas (...) quando é preciso dar um passo, você tem que dar", disse ela sobre as concentrações nos parques da capital que seguiram a caravana, com centenas de jovens cantando e dançando.

Diante da avalanche de críticas que a iniciativa da UJC provocou nas redes sociais, sua nova primeira-secretária, Aylín Álvarez, reconheceu no Twitter que as concentrações foram organizadas "em meio a um momento de pico pandêmico, mas também de máxima agressividade e tentativas de desestabilização interna".

"Podemos morrer de covid-19, mas também de uma bomba ou de uma pedra na cabeça. Ninguém duvida, temos que cuidar de tudo isso e nos defendermos", observou.

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