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Relatório de ONGs denuncia abusos dos talibãs no Afeganistão

15.set.2021 - Membros do Talibã fazem patrulha em posto de controle de Kunduz, no norte do Afeganistão - Ajmal Kakar/Xinhua
15.set.2021 - Membros do Talibã fazem patrulha em posto de controle de Kunduz, no norte do Afeganistão Imagem: Ajmal Kakar/Xinhua

21/09/2021 11h14Atualizada em 21/09/2021 12h24

Os talibãs no poder no Afeganistão "desmantelam, sistematicamente, os avanços em matérias de direitos humanos obtidos nos últimos 20 anos" - denunciaram três ONGs em um relatório divulgado nesta terça-feira (21), que cita vários abusos cometidos desde sua volta ao poder, em meados de agosto.

"Os talibãs tentaram convencer o mundo de que respeitariam os direitos humanos, mas as informações no terreno mostram uma realidade totalmente diferente", denuncia o relatório elaborado pela Anistia Internacional, pela Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) e pela Organização Mundial contra Tortura (OMCT).

O documento detalha uma lista de violações dos direitos humanos: intimidação e repressão das mulheres; defensores dos direitos humanos; represálias contra funcionários do governo anterior e ataques à liberdade de expressão.

Baseando-se, principalmente, em vários testemunhos diretos, o informe cobre o período de 15 de agosto, data da queda de Cabul nas mãos dos talibãs, a 12 de setembro.

"A vida de milhares de mulheres e homens que defendem os direitos humanos está por um fio", escreve o texto.

O texto cita o testemunho de um defensor dos direitos humanos que conseguiu fugir do país. Ele descreve o "clima de medo" imposto pelo Talibã e como dois de seus colegas foram açoitados.

Também inclui o relato de duas jornalistas de Cabul. Diante das ameaças e intimidações, elas acabaram indo embora: uma, da capital; a outra, do país.

"Como consequência do clima de medo gerado pela tomada de poder dos talibãs, muitas afegãs hoje usam burca, evitam sair de casa sem um tutor e param de fazer certas atividades para evitar violência e represálias", destaca o relatório.

O texto também documenta as dificuldades de quem tenta fugir do país.

"Alguns foram inclusive torturados, ou sofreram maus-tratos", em particular nas duas semanas posteriores à queda de Cabul, quando milhares de pessoas tentaram chegar ao aeroporto da capital.

As ONGs pedem ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que estabeleça um mecanismo de investigação independente para identificar esses abusos e lutar contra a impunidade.

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