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Ucrânia quer desmantelar toda estrutura pró-Rússia em seu território

21 de janeiro de 2022 - um poster do presidente da Rússia, Vladimir Putin, é usado como alvo na Ucrânia - Anatolii Stepanov/AFP
21 de janeiro de 2022 - um poster do presidente da Rússia, Vladimir Putin, é usado como alvo na Ucrânia Imagem: Anatolii Stepanov/AFP

23/01/2022 21h33

Kiev, 24 Jan 2022 (AFP) - A Ucrânia declarou, neste domingo (23), que quer desmantelar qualquer grupo pró-Rússia depois que o Reino Unido acusou Moscou de tentar impor um líder pró-russo a Kiev em meio a tensões na fronteira ucraniana.

"Nosso Estado continuará sua política de desmantelar qualquer estrutura oligárquica e política que possa trabalhar para desestabilizar a Ucrânia ou ser cúmplice dos ocupantes russos", disse Mykhailo Podoliak, assessor do chefe da administração presidencial ucraniana, em comentários enviados à AFP.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, acusou no sábado (22) a Rússia de tentar "instalar um líder pró-russo em Kiev" e de "planejar ocupar" a Ucrânia, acusações que a Rússia chamou de "absurdas".

Acusado pelos ocidentais de ter reunido dezenas de milhares de soldados na fronteira ucraniana em preparação a um ataque, o Kremlin nega quaisquer intenções bélicas, mas vincula a redução da escalada a tratados que garantam, em particular, a não expansão da Otan.

Algo considerado inaceitável pelos ocidentais, que ameaçam a Rússia com severas sanções em caso de ataque.

'Provocações estúpidas'

O ministério russo das Relações Exteriores exortou o Reino Unido a "parar de espalhar disparates" e a "acabar com as suas provocações estúpidas (...), muito perigosas na situação atual".

A diplomacia britânica afirmou que "o ex-deputado ucraniano Yevgenii Murayev é considerado um potencial candidato", mas ele não é o único: os serviços de inteligência russos mantêm "ligações com muitos ex-políticos ucranianos".

Reagindo a essas acusações, Murayev pediu que parem de "nos dividir em pró-russos e pró-ocidentais", enfatizando que seu país precisa de "novos líderes políticos" guiados pelos "interesses nacionais da Ucrânia e do povo ucraniano".

A diplomacia britânica também mencionou os nomes de Serguei Arbuzov (o primeiro vice-primeiro-ministro da Ucrânia de 2012 a 2014, depois primeiro-ministro interino), Andrei Kluiev (que chefiou a administração presidencial do ex-chefe de Estado ucraniano Viktor Yanukovych), Volodymyr Sivkovytch (ex-vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia) ou mesmo Mykola Azarov (primeiro-ministro da Ucrânia de 2010 a 2014).

"Alguns deles estão em contato com agentes da inteligência russa que estão atualmente envolvidos no planejamento de um ataque à Ucrânia", acusou o ministério das Relações Exteriores britânico.

Os Estados Unidos consideraram essas acusações "profundamente preocupantes".

"O povo ucraniano tem o direito soberano de determinar seu próprio futuro, e estamos com nossos parceiros democraticamente eleitos na Ucrânia", declarou Emily Horne, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Washington também ordenou que as famílias dos diplomatas americanos em Kiev deixem o país "devido à ameaça persistente de uma operação militar russa", anunciou neste domingo o Departamento de Estado.

Os funcionários locais podem deixar a embaixada caso desejarem e os cidadãos americanos residentes na Ucrânia "deveria considerar" deixar o país em voos comerciais ou outros meios de transporte, completou no comunicado oficial.

Oração pela paz

Neste domingo, o papa Francisco declarou que acompanha "com preocupação" as tensões crescentes na Ucrânia - que ameaçam a segurança do continente europeu. Ele pediu um dia de oração pela paz na próxima quarta-feira.

O cenário de que a Rússia poderia assumir o controle de seu vizinho foi considerado como "absurdo" pelo chefe da Marinha alemã, o vice-almirante Kay-Achim Schönbach. Comentários que o levaram a ser forçado a renunciar à noite, segundo anúncio do ministério da Defesa alemão.

O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, garantiu contudo neste domingo não ter "nenhuma dúvida" sobre a determinação da Alemanha frente à Rússia, ao ser questionado pela emissora NBC.

As declarações britânicas foram feitas poucas horas depois que o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, aceitou se reunir com o britânico Ben Wallace. Shoigu propôs que a reunião fosse em Moscou.

O encontro bilateral, o primeiro desde 2013, visa "explorar todos os caminhos para alcançar a estabilidade e uma solução para a crise ucraniana", disse uma fonte do ministério da Defesa britânico no sábado.

Na mesma linha, a França pediu neste domingo um diálogo direto entre a União Europeia e a Rússia sobre a segurança na Europa, segundo informou o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Clément Beaune.

Beaune insistiu que não é razoável falar de uma possível invasão, já que a via diplomática para resolver as tensões continua aberta.

Os chefes da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e americana, Blinken, se reuniram na sexta-feira em Genebra para tentar diminuir as tensões na fronteira russo-ucraniana e concordaram em continuar as conversas "francas" nesta semana.

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