Procuradoria retoma investigação do assassinato de Celso Daniel

Em São Paulo

  • Patricia Santos - 21.jan.2002/Folhapress

    Saída do corpo do prefeito Celso Daniel, do PT, da Câmara Municipal de Santo André, em 2002

    Saída do corpo do prefeito Celso Daniel, do PT, da Câmara Municipal de Santo André, em 2002

A Procuradoria-Geral de Justiça encaminhou ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), por meio da Subprocuradoria-Geral de Políticas Criminais, informações sobre o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) para que a investigação tenha prosseguimento.

A informação sobre os novos rumos do caso Celso Daniel foi revelada pelos repórteres Silvio Navarro e Felipe Frazão, da revista Veja, nesta terça-feira, 8. A retomada das investigações foi discutida em reunião na Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo. Desde 2005 já existe um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) no Gaeco de Santo André sobre o homicídio. Mas essa investigação nunca foi concluída.

O chefe do Ministério Público do Estado Gianpaolo Smanio decidiu encaminhar ao Gaeco as informações que lhe foram transmitidas na quinta-feira, 3, pelo procurador de Justiça Edilson Mougenot Bonfim. Edilson Bonfim pediu a reabertura da investigação. O pedido consta em parecer que ele produziu em recurso da defesa de Elcyd Oliveira Brito, o John, condenado a 20 anos de prisão como um dos matadores do prefeito.

O procurador quer saber quem foram os mandantes do assassinato do petista. Alega que novas provas apareceram no caso. O procurador cita em especial o relato do empresário Marcos Valério, apontado como "operador" do mensalão. Valério contou sobre um transação para "comprar o silêncio" de um empresário da área de transporte coletivo que poderia envolver a cúpula do PT no crime.

Celso Daniel foi assassinado à bala em janeiro de 2002. A Justiça condenou os matadores, submetidos a júri popular na Comarca de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Para a Polícia Civil o petista foi vítima de "crime comum" - ele foi atacado a caminho de casa, numa noite de sexta-feira, depois de jantar em São Paulo com o amigo e ex-segurança Sérgio Gomes, o "Sérgio Sombra", que morreu em setembro de 2016, vítima de câncer.

Para o Ministério Público Estadual, porém, Celso Daniel foi morto a mando de corruptos porque teria mandado acabar com esquema de fraudes e desvios em sua própria gestão quando descobriu que recursos ilícitos eram destinados ao caixa do PT. As principais suspeitas sobre o mandante do crime apontavam para "Sérgio Sombra". Os promotores queriam levá-lo a julgamento. Seu defensor, o criminalista Roberto Podval, sempre rechaçou com veemência a linha de acusação da Promotoria. Com a morte de "Sombra", o Ministério Público agora quer saber se havia outros mandantes.

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