Ministros do STF e Janot discutiram segurança durante manifestações

Com barulho de helicópteros e bombas vindo da Esplanada dos Ministérios, o Supremo Tribunal Federal (STF) parecia alheio aos protestos que ocorriam a poucos metros dali na tarde desta quarta-feira. Em meio a manifestações e crise política, os ministros julgavam processos tributários no plenário. Poucos minutos depois de manifestantes colocarem fogo no prédio do Ministério da Agricultura, no entanto, um aviso chegou à presidente Cármen Lúcia.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cochichou com a presidente durante a sessão. Cármen antecipou o intervalo habitual para avaliar o quadro. Os dois esperaram o decano, ministro Celso de Mello, para deixar o plenário. Em caráter reservado, os ministros se reuniram no salão onde costumam fazer pausa para um café no intervalo das sessões ou reuniões administrativas. Janot, presente, explicava aos ministros a situação do lado de fora. A segurança do STF também levou informações sobre o que acontecia na Esplanada.

Na conversa reservada, segundo relatos feitos ao jornal O Estado de S.Paulo, Janot chegou a sugerir a liberação dos servidores do Tribunal. Os ministérios começavam a adotar a medida. Na Procuradoria-Geral da República, funcionários terceirizados foram liberados mais cedo. Simultaneamente, alguns poucos manifestantes furaram o bloqueio da polícia e se aproximaram da Corte. Com um megafone, pediam que "ministros e ministras" anulassem o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O intervalo e a conversa duraram 30 minutos. Cármen Lúcia e alguns ministros avaliaram que a liberação dos servidores poderia soar como se o Supremo estivesse "dando munição" ao protesto. Após Cármen receber informação de que o acesso à Praça dos Três Poderes estava controlado e não haveria risco para segurança de servidores e ministros, a sessão foi retomada e levada até o fim pela presidente.

As atenções, no entanto, estavam do lado de fora. Janot não tirou os olhos do celular e os ministros conversavam, em pares, mesmo durante a sessão. O único a se manifestar publicamente foi Marco Aurélio Mello, que citou o decreto do presidente Michel Temer sobre uso de forças armadas.

"Presidente, voto um pouco preocupado com o contexto e eu espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do Poder Executivo teria editado um decreto autorizando o uso das Forças Armadas do Distrito Federal no período de 24 a 31 de maio", afirmou.

Os ministros foram pegos de surpresa. Reservadamente, já há ministro da Corte que demonstre preocupação com a extensão do decreto da presidência: sobre locais de atuação e período. Na saída, os ministros evitaram comentar publicamente a fumaça das bombas ou o decreto. Para confirmar a confiança no forte aparato de segurança do Tribunal, alguns mantiveram o hábito de sai a pé, na rua, para andar do edifício sede até o prédio que sedia os gabinetes. (Beatriz Bulla)

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