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Cotidiano

Casal desaparecido em Brumadinho se conheceu na Vale

Felipe Resk

São Paulo

28/01/2019 08h35

Juliana Resende, de 33 anos, é analista em um armazém da mineradora da Vale em Brumadinho. Já Dennis Silva, de 34, atua como técnico de planejamento e controle. Segundo parentes, os dois se conheceram na empresa, começaram a namorar pouco depois e casaram. Recentemente, a família até cresceu. Há cerca de dez meses, vieram os primeiros filhos. Dois meninos: gêmeos.

O casal está desaparecido desde a última sexta-feira (25), quando uma barragem em Brumadinho rompeu-se e deixou ao menos 58 mortos e 305 desaparecidos, segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros na noite de domingo (27).

"Quando estava começando a construir uma família, acontece uma catástrofe dessa", diz Alese Junior Resende, de 19 anos, irmão de Juliana.

Mapa Brumadinho - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Por causa da pouca idade, as crianças ainda não sabem que os pais estão desaparecidos nem que a família suspeita que podem ser encontrados sem vida, sob a lama. "Os meninos são muito novos para saber o que aconteceu, mas estão inquietos desde sexta. Não ficam mais do mesmo jeito. Acho que, querendo ou não, eles sentem", relata.

À família, contaram que Juliana estaria em uma reunião quando a barragem estourou. "As pessoas dizem que ela pegou a mochila, colocou nas costas e foi para outro lugar. De lá, a gente não sabe mais de nada", diz Resende. "Notícia não tem nenhuma, nem boa nem ruim."

Veja o caminho percorrido pela lama da barragem de Brumadinho

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Segundo o irmão, os parentes ficaram incomodados após os bombeiros anunciarem a suspensão de buscas por boa parte do dia. Os bloqueios na cidade também impediram de tentarem achá-los por conta própria. "Esse trem todo deixa a família ainda mais angustiada", afirma. "É um descaso com a população."

Juliana deixava os filhos na casa da mãe cedo pela manhã. À noite, voltava com Silva para buscá-los. "Minha mãe já chorou muito, agora está mais calma", diz Resende. "A gente dá chá para ela, ela reza para Nossa Senhora de Aparecida o tempo todo."

"Na sexta, ela perdeu o horário do trabalho. Só que ela nunca faltou ao serviço, então pegou o carro e foi para lá. Parece que Deus não queria..." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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