Topo

Após disputa no Senado, Onyx faz acenos a MDB

O ministro chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni - Pedro Ladeira/Folhapress
O ministro chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Vera Rosa

Em Brasília

05/02/2019 07h27

Articulador político do Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, vestiu o figurino "paz e amor" e disse nesta segunda-feira (4) que não vai brigar com o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Após participar de cerimônia na Câmara para entregar a mensagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Congresso, na reabertura dos trabalhos do Legislativo, Onyx afirmou que Renan o chamou para o confronto porque queria transformar o Senado em uma "cidadela de resistência do PT".

Mesmo com a disputa acirrada, que no sábado terminou com a derrota de Renan para Davi Alcolumbre (DEM-AP), novo presidente do Senado, o Palácio do Planalto precisa do apoio do MDB no Congresso e não quer que o episódio prejudique o relacionamento com o partido. Com 13 senadores, a sigla tem a maior bancada na Casa.

"O MDB é importante para o Brasil há muitas décadas e é evidente que vamos buscar o diálogo", disse Onyx. No Planalto, a palavra de ordem é "não queimar pontes" com o MDB.

O governo vai investir no racha da bancada - já que uma parte não endossou a candidatura de Renan - para conquistar adesões a propostas consideradas prioritárias, como a reforma da Previdência.

Na prática, a eleição de Alcolumbre, após uma sessão marcada por bate-boca e até denúncia de fraude, representou a vitória do governo de Jair Bolsonaro e, principalmente, de Onyx, que foi avalista do senador do DEM.

"Davi Alcolumbre é o Jair do Senado. Era improvável e acabou vencedor", comparou o ministro. "Havia um projeto que dominava o Congresso há 24 anos (...) de transformar o Senado em uma cidadela de resistência do PT, aliada ao Golias que o Davi derrubou. Era uma cidadela para impedir que a voz das ruas chegasse ao Congresso", emendou ele.

Nos bastidores do Congresso, não há dúvidas de que Renan será agora o líder da oposição ao Planalto. Apesar desse receio, porém, interlocutores de Bolsonaro avaliam que o fato de o senador ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho, pode acabar diminuindo sua revolta, já que os Estados sempre precisam de recursos da União.

Questionado pela reportagem sobre uma das últimas frases do senador após a queda de braço com Alcolumbre - "Você pode até tirar o velho Renan de cena, mas nunca matá-lo" -, Onyx preferiu não esticar a disputa. "Ele tentou me chamar para a briga, mas demos a resposta na urna. Eu estou na paz", disse o ministro. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Mais Política