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"Empresas sabiam que segurança de barragem estava baixa", diz delegado

26.jan.2019 - Homem se equilibra em uma casa que foi engolida pela lama da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho - CADU ROLIM/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
26.jan.2019 - Homem se equilibra em uma casa que foi engolida pela lama da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho
Imagem: CADU ROLIM/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Fernanda Guimarães e Mariana Durão

21/01/2020 18h35

Pelo menos desde 2017 era de conhecimento da TÜV SÜD e da Vale que o fator de segurança da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, estava abaixo do recomendável e que isso apontava para um potencial comprometimento de sua estrutura, disse o delegado da Polícia Civil de Minas e membro da força-tarefa que investigou a tragédia, Eduardo Vieira Figueiredo, em entrevista coletiva realizada na tarde de hoje.

Segundo ele, o fator mínimo de 1.3 para a declaração de condição de estabilidade não estava sendo cumprido. Se isso tivesse sido admitido pelas empresas, o correto pela legislação da Agência Nacional de Mineração (ANM) seria acionar o Plano de Ação por Emergência das Barragens (PAEBM).

"Isso significaria no mínimo o poder público ter conhecimento da criticidade daquela barragem e atuar. Se não fosse evitada, no mínimo a tragédia seria atenuada", afirmou.

O delegado afirmou que, em lugar de comunicar o problema, as empresas começaram a discutir medidas para melhoria do fator de segurança da barragem, mas elas não foram efetivas.

Sem a comunicação, não foi possível chegar ao ponto de remover as pessoas da chamada zona de autosalvamento antes do rompimento.

"Pelo conjunto de ações e omissões, os denunciados acabaram demonstrando assunção de risco de um resultado que acabou ocorrendo", disse.

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