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2 meses

MP de SP dá 48h para Corregedoria da PM informar sobre medidas contra coronel

João Doria (PSDB), governador de São Paulo, postou vídeo com o coronel Aleksander Lacerda em inauguração de Batalhão de Ações Especiais de Sorocaba, em dezembro de 2020 - Reprodução
João Doria (PSDB), governador de São Paulo, postou vídeo com o coronel Aleksander Lacerda em inauguração de Batalhão de Ações Especiais de Sorocaba, em dezembro de 2020 Imagem: Reprodução

Rayssa Motta e Fausto Macedo

do Estadão Conteúdo, em São Paulo

25/08/2021 18h25Atualizada em 25/08/2021 21h03

O Ministério Público de São Paulo notificou hoje a Corregedoria da Polícia Militar para que informe em até 48 horas os procedimentos adotados em relação ao coronel Aleksander Lacerda, ex-chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, que usou as redes sociais para convocar os seguidores a comparecerem na manifestação do dia 7 de Setembro em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e para atacar o governador João Doria (PSDB).

No documento, assinado pelos promotores Marcel Del Bianco Cestaro e Giovana Guerreiro Garcia, o MP afirma ver indícios da prática do crime de publicação ou crítica indevida, previsto no artigo 166 do Código Penal Militar. Pelo texto, fica proibido aos agentes "criticar publicamente qualquer resolução do governo".

A Promotoria quer saber se a PM abriu um inquérito para apurar a conduta do coronel e, em caso afirmativo, todas as medidas determinadas até aqui.

Em caso negativo, requisitamos a instauração de inquérito policial militar para apurar a prática de crime previsto no artigo 166 do Código Penal Militar. Trecho do ofício

Outro ponto questionado pelo MP é sobre as ações em curso para monitorar a participação de policiais militares da ativa nos protestos convocados e para impedir que os agentes "se valham da condição de militar para participar de ato político-partidário, bem como se utilizem de arma de fogo da corporação nessas ocasiões".

Como o blog mostrou, o Ministério Público abriu um inquérito para analisar se Aleksander Lacerda e o diretor do Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o coronel da reserva da PM Ricardo Augusto Araújo, cometeram improbidade administrativa ao convocarem a população para as manifestações bolsonaristas. A portaria que formaliza a instauração da investigação afirma que a conduta pode configurar, além de transgressão disciplinar, ofensa aos princípios da administração pública.

Os órgãos de segurança pública são instituições permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, e destinam-se à defesa da sociedade e devem se pautar pelo regime democrático instituído. Trecho do despacho

Reportagem do Estadão mostrou que, em quase 400 mensagens publicadas entre os dias 1º e 22 de agosto em suas redes sociais, Lacerda também criticou e ofendeu ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou Doria de 'cepa indiana' e classificou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de 'covarde'. Ele foi designado nesta quarta-feira, 25, pelo comando da Polícia Militar para o Estado-Maior Especial.

Além de ser afastado, Lacerda terá seu caso examinado pela Corregedoria da PM. O comando da corporação, no entanto, não informou ainda que tipo de procedimento foi aberto para apurar a conduta do coronel.

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