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Rodrigo Garcia se afasta de padrinhos políticos durante campanha

29.jun.2022 -  Governador Rodrigo Garcia durante entrevista coletiva em São Paulo (SP) sobre ações de segurança pública - Willian Moreira/Estadão Conteúdo
29.jun.2022 - Governador Rodrigo Garcia durante entrevista coletiva em São Paulo (SP) sobre ações de segurança pública Imagem: Willian Moreira/Estadão Conteúdo

Gustavo Queiroz e Pedro Venceslau

São Paulo

22/07/2022 08h27Atualizada em 22/07/2022 09h19

A estratégia nas redes sociais dos principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes deixa claro os segmentos do eleitorado que são alvo das campanhas. O ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) aumentou a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos seus perfis nos últimos 30 dias, enquanto o PT desenha uma campanha na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) estarão "colados" no ex-prefeito Fernando Haddad.

No caminho inverso, o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que disputa a reeleição, adotou um discurso que rejeita os "padrinhos políticos" e ignora, nas mídias sociais, os presidenciáveis dos partidos que o apoiam: Luciano Bivar (União Brasil), Simone Tebet (MDB), André Janones (Avante) e Pablo Marçal (PROS).

Garcia tenta trilhar um caminho sem associações nacionais e fora das grandes rejeições —ao se manter distante da polarização petismo versus bolsonarismo e ao evitar João Doria (PSDB), que teve a candidatura presidencial frustrada.

Candidatos impulsionam conteúdos nas redes

No Facebook, Tarcísio é o que mais investiu em impulsionamento de conteúdos no último mês. Foram R$ 53,7 mil em despesas com publicidade. Ele é seguido por Garcia, que gastou R$ 39,4 mil. Não há investimento registrado por Haddad na plataforma no período.

No Instagram, Haddad e Tarcísio têm os maiores números de seguidores entre os concorrentes —o petista tem 2 milhões e o ex-ministro, 1,7 milhão. Garcia tem 101 mil, mas teve crescimento acelerado na última semana. No perfil do governador, Doria, Tebet ou Bivar não aparecem nas 75 publicações no último mês.

O PSDB defende que Garcia, que fez sua carreira no DEM e se filiou no ano passado à legenda, coloque tucanos históricos em seus programas, como forma de fazer frente à presença de Alckmin na campanha de Haddad. "O padrinho do Rodrigo é o legado do PSDB em São Paulo desde 1994. Essa polarização nacional prejudica o Estado", disse o presidente do PSDB-SP, Fernando Alfredo.

Mudança

Levantamento feito pelo Estadão mostra que, no último mês, Bolsonaro esteve em oito das 44 publicações feitas por Tarcísio no Instagram. Antes de 15 de junho, ele raramente figurava na rede social do ex-ministro. A mudança coincide com a melhora do desempenho de Bolsonaro nas pesquisas em São Paulo. "Estaremos cada vez mais juntos. E não se trata de um movimento tático, mas estratégico", disse o marqueteiro de Tarcísio, Pablo Nobel.

Já Lula apareceu em 25 de 132 publicações de Haddad no Instagram. O entorno do ex-prefeito prevê que Garcia será obrigado a fazer movimentos de aproximação com o eleitorado bolsonarista para chegar ao segundo turno. Investir na imagem de Lula nas redes de Haddad e na TV seria uma resposta a esse movimento. "A musculatura eleitoral do Bolsonaro e do Lula é fundamental na manutenção dessa polarização", disse o cientista político Rodrigo Prando.