Obra de Caravaggio homenageia Aylan em museu de imigração

PALERMO, 25 MAI (ANSA) - Na próxima semana, no dia 3 de junho, a ilha de Lampedusa abrirá as portas do "Museu da Confiança", um projeto temporário que visa lembrar o sofrimento dos imigrantes que fazem e que fizeram a perigosa travessia do Mar Mediterrâneo. Entre as obras selecionadas, está um quadro do artista italiano Caravaggio, que atualmente está na Gallerie degli Ufizzi, de Florença.   


A tela escolhida, "Amorino dormiente" ("Cupido adormecido", em tradução livre), foi finalizada em 1608 e retrata um pequeno cupido dormindo calmamente, enquanto o quadro apresenta um forte contraste de luz e sombra. Segundo os organizadores, ela foi especialmente escolhida para retratar um dos símbolos da crise imigratória europeia: a morte do pequeno menino Aylan, 3 anos, encontrado sem vida em um praia turca.   


A ideia é que a tela lembre tanto do sofrimento e da morte de crianças na travessia bem como daquelas que conseguiram ser resgatadas para tentar viver uma realidade melhor na Europa.   


Além do Caravaggio, vários museus da região mediterrânea - assim como do Museu do Bardo, alvo de ataques terroristas na Tunísia - emprestaram obras para a exposição. A ilha de Lampedusa já foi uma das maiores portas de entrada de imigrantes na Europa e foi palco de inúmeras tragédias em alto mar. Uma das piores foi a ocorrida no dia 3 de outubro de 2013, quando 366 pessoas - entre elas, 41 crianças - perderam a vida em um naufrágio.   


O museu nasceu da iniciativa do projeto First Social Life com a comuna de Lampedusa e o Comitê 3 de Outubro e também tem como objetivo criar um "diálogo para o Mediterrâneo". Para o dia da inauguração, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, o ministro dos Bens Culturais, Dario Franceschini, a prefeita de Lampedusa, Linosa Giusi Nicolini, e os diretores dos museus que cederam as obras já confirmaram presença.   


A exposição será temporária e, segundo Alessandro De Lisi, diretor cultural do First Social Life, a ideia é que ela seja encerrada "no dia 3 de outubro", como forma de lembrar da tragédia de 2013. Em entrevista para a revista "Vita", De Lisi ainda informou que a abertura de um museu na ilha serve "para que este seja o local de reencontro da identidade europeia, que está sendo perdida".   


Atualmente, a região italiana continua sendo uma das importantes rotas dos estrangeiros que fogem das guerras e da miséria em busca de uma vida melhor na Europa. Porém, a região recebe menos imigrantes do que as ilhas gregas. A rota pelo sul da Itália é considerada por organismos internacionais como a "mais mortal do mundo", dada as dificuldades geográficas para a travessia.   


Até o dia 17 de maio, de acordo com dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), quase 190 mil pessoas usaram o Mediterrâneo para atingir a Europa, sendo que destes, 32.486 foram para a Itália. Na travessia italiana, 976 pessoas morreram só nos cinco primeiros meses de 2016. Para se ter uma ideia do perigo da "rota italiana", no mesmo período, mais de 155 mil pessoas foram para a Grécia, mas foram registradas 376 mortes. (ANSA)
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