Jihadista é condenado por destruir templos em Timbuktu

ROMA, 27 SET (ANSA) - O jihadista Ahmad al-Faqi al-Mahdi foi condenado pela Corte Internacional de Haia nesta terça-feira (27) a nove anos de prisão por "crimes de guerra" pela destruição de 14 mausoléus e uma mesquita na cidade de Timbuktu, no Mali, em 2012.   

Mahdi era líder da milícia islâmica Ansar Dine, ligada aos terroristas da Al Qaeda, e é a primeira pessoa da história a ser condenada por destruir um local considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Em agosto deste ano, ele havia se declarado "culpado" pela destruição e reconheceu que sentia "profundo arrependimento e dor".   

De acordo com a acusação, Mahdi dava ordens para extremistas que portavam picaretas e machados reduzissem a pó as estruturas construídas há séculos. Foram derrubados mausoléus e mesquitas da época em que a cidade era considerada um dos grandes centros do Islã medieval. Além disso, vários manuscritos históricos desapareceram.   

- História: Timbuktu, denominada a "cidade dos 333 santos", virou Patrimônio da Humanidade em 1988. Porém, em 2012, foi alvo da interpretação extremista da sharia ("lei islâmica") pelos grupos terroristas ligados à Al Qaeda.   

A localidade foi fundada entre os séculos 11 e 12 pelo tuaregues, um povo berbere e nômade do norte da África, e era a capital do reino de Kankou Moussa, o imperador do Mali.   

Considerada uma das cidades mais fascinantes do continente, foi um grande centro intelectual do Islã e um importante pólo comercial por onde passavam caravanas de todo o continente.   

Paralelamente à desagregação do império de Gana, a cidade começa a atrair empresários, escritores, cientistas, religiosos enquanto comerciantes de de Fez e de Marrakesh usam o local para fazer uma "ponte" comercial com a África ao sul do Saara.   

Sob o reino de Kankou Moussa, a cidade torna-se muito rica e um "rio de ouro" lhe dá uma opulência sem precedentes. Do Egito e da Arábia vem eruditas e poetas, sábios de todo o país, arquitetos de Andaluzia e nasce uma verdadeira e sofisticada civilização, com base islâmica.   

A Universidade local produz preciosos manuscritos e o estilo arquitetônico da mesquita de Djingareyber, a mais antiga de Timbuktu, é o maior exemplo. Nenhuma pedra ou mármore, mas apenas madeira e uma argila típica do local, com a qual são fabricados os tijolos.   

Desde os anos 1800, a cidade é conhecida na Europa. Mas, em 1828, ela torna-se "uma lenda" na história com a chegada do explorador francês Rene Caillie. (ANSA)
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