Clima entre governos de Hungria e Itália volta a ficar tenso

ROMA E BUDAPESTE, 28 OUT (ANSA) - O clima entre Hungria e Itália na questão dos imigrantes voltou a ficar tenso após nova troca de farpas entre o presidente húngaro, Viktor Orbán, e primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, nesta sexta-feira (28).   

Em entrevista à agência de notícias "MTI", Orbán afirmou que o premier está "nervoso" por causa do momento político que vive em seu governo, com a tentativa de aprovar uma reforma constitucional e as discussões com a União Europeia sobre uma manobra financeira do orçamento interno.   

"A política interna italiana é um terreno difícil. A Itália tem dificuldades com o orçamento, com um déficit que está aumentando enquanto os imigrantes chegam em massa. Renzi tem todas as razões para ficar nervoso", destacou.   

Para Orbán, "a compaixão" com os deslocados que chegam pelo Mar Mediterrâneo, "não muda o fato de que a Itália tem o dever de cumprir suas obrigações, algo que não faz". Após a acusação, no entanto, o presidente disse que a "União Europeia não dá a mão adequada" aos italianos na questão da imigração.   

Já em entrevista à rádio "MR", o presidente afirmou que não são "aceitáveis" as acusações do governo italiano de que seu país "não é solidário" já que seu governo "gasta muito para construir os muros que protegem as fronteiras da Europa".   

"Por isso, não toleraremos que a Hungria seja considerada um país não solidário. A Hungria é solidária com os outros porque gasta muito com a defesa e está garantindo a segurança até de outros países que estão em nossas fronteiras", disse ainda.   

A resposta de Renzi foi rápida. Em entrevista à "Rádio Radical", o premier acusou Orbán de não conhecer a real situação da Itália e voltou a ameaçar vetar o orçamento da União Europeia se os países do bloco não colocarem em prática o sistema de cotas para receber os deslocados que chegam ao país e à Grécia.   

"O presidente Orbán tem uma visão desatualizada da Itália. Em outros termos, não é verdade que nosso déficit está aumentando, não é verdade que a Itália e está em dificuldades ou que há nervosismo. Ou a Europa, e isso vale para a Hungria, coloca em prática os documentos que a mesma Europa assinou e se ocupa dos imigrantes ou haverá uma bela novidade: a Itália vetará qualquer orçamento que não contemple ônus e bônus", disse o premier.   

Renzi voltou a lembrar que os italianos dão 20 milhões de euros para a União Europeia e recebem de volta 12 milhões de euros e que, se a crise migratória não for levada a sério por todos, o país não será mais "o baú de dinheiro" para o bloco.   

"Hoje há uma bela novidade: o presidente do Conselho italiano, assim que começarem os debates sobre o orçamento, irá vetar qualquer orçamento que não contemplar no mesmo texto os mesmos ônus e os mesmos bônus. Deve ficar claro que a Itália não é mais o baú de dinheiro onde você pode pegar dinheiro quando precisa.   

O tempo em que a Itália fazia isso, acabou", disse ainda o líder do governo de Roma.   

Itália e Hungria estão em lados opostos sobre a questão da imigração. Enquanto a primeira defende o acolhimento dos imigrantes e o sistema de cotas proposto pela UE para que os outros países ajudem italianos e gregos na questão - já que os dois países são as "portas de entrada" dos deslocados -, os húngaros lideram o chamado grupo Viségraad, que rejeita as medidas propostas pelo bloco e que já construiu diversos muros para impedir a entrada dos estrangeiros. Além da Hungria, fazem parte desse grupo Eslováquia, Polônia e República Tcheca.   

A briga entre os dois lados começou ontem (27), quando o ministro húngaro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, afirmou que Roma não cumpre as próprias obrigações e que a pressão provocada pela emergência dos refugiados seria muito menor se o governo italiano respeitasse as normas do Espaço Schengen. Por sua vez, seu homólogo italiano, Paolo Gentiloni, rebateu e escreveu em seu Twitter que "com muros e referendos, a Hungria sempre reivindicou o direito de violar as regras europeias sobre imigração. Agora ao menos evite dar lições à Itália". (ANSA)
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