Igrejas protestam na Itália contra 'lei do fim da vida'

CAMPOBASSO, 21 ABR (ANSA) - Igrejas católicas de diversas cidades da região de Molise, no sul da Itália, fizeram seus sinos soarem o toque de finados nesta sexta-feira (21), em protesto contra a aprovação pela Câmara dos Deputados da lei que regulamenta o "biotestamento".   

Além disso, os padres dessas paróquias escreveram um "obituário" no município de Pietrabbondante, na província de Isernia. "Com isso, quisemos chamar atenção de nossas comunidades para o funesto evento legislativo, que criará uma grande quantidade de problemas e minará a certeza da inviolabilidade da vida humana", diz uma nota das igrejas.   

Já aprovado pelo Senado em 2014, o projeto precisará ser avaliado novamente pela Câmara Alta já que foi modificado pelos deputados. Ele estabelece que o paciente tenha o direito de abandonar o tratamento prescrito pelos médicos, inclusive os paliativos, cujo objetivo não é curar a pessoa, mas apenas fornecer qualidade de vida.   

A medida valerá também para clínicas privadas conveniadas ao Sistema Sanitário Nacional, incluindo aquelas ligadas à Igreja Católica. No entanto, os médicos poderão alegar "objeção de consciência" para não interromper o tratamento do paciente, que terá de recorrer a outro hospital ou a outro profissional da mesma estrutura.   

Ainda assim, a proposta não autoriza a eutanásia, que é a prática de abreviar deliberadamente a vida de um indivíduo, geralmente em estado terminal. "Com isso, a Itália escolheu 'fazer morrer', não 'fazer viver'", acrescenta o comunicado das paróquias de Molise.   

A insatisfação da Igreja Católica também foi verbalizada pelo presidente da influente Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Angelo Bagnasco. "Continua sendo um texto no qual não podemos nos reconhecer. Alimentação e hidratação são indispensáveis para o bem da vida", declarou, em entrevista ao jornal "la Repubblica".   

O projeto de lei do "biotestamento" foi aprovado pela Câmara na última quinta-feira (20), por um placar de 326 votos a favor e 37 contra. (ANSA)
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