Áustria pede 'bloqueio' de Lampedusa e é acusada de nazismo

BRUXELAS, 20 JUL (ANSA) - O líder do grupo Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Gianni Pittella, acusou nesta quinta-feira (20) a Áustria de querer transformar a ilha de Lampedusa, no sul da Itália, em um campo de concentração.   

A declaração foi uma resposta à proposta do ministro austríaco das Relações Exteriores, Sebastian Kurz, de interromper o transporte de refugiados e migrantes forçados que desembarcam nas ilhas italianas, principalmente Lampedusa, para o continente.   

"O ministro Kurz quer transformar Lampedusa em um campo de concentração para migrantes. Essa não é a Europa pela qual lutamos", declarou Pittella, um dos mais ativos eurodeputados italianos.   

Totò Martello, prefeito de Lampedusa e Linosa, única cidade da ilha, também reagiu e disse que as palavras de Kurz são as mesmas que se espera de um "nazi-skin" (skinhead nazista), não de um representante de um país da União Europeia.   

"Evidentemente", afirmou Martello, "Kurz não sabe sequer o quanto é grande Lampedusa e se esquece que em nossa ilha vivem 6 mil pessoas que se sentem europeias, dá para ver que o ministro não sabe como ocorrem os desembarques e em quais condições são socorridos os migrantes que chegam em Lampedusa".   

Mais próxima da África do que da Península Itálica, a ilha se tornou mundialmente famosa por servir de porta de entrada para milhares de refugiados e migrantes forçados que se arriscam nas "viagens da morte" no Mediterrâneo.   

Por conta disso, o ministro das Relações Exteriores da Áustria defende que esses indivíduos sejam proibidos de seguir para a Itália continental e, por consequência, de circular pelo território da UE. Sua proposta foi feita nesta quinta, em Viena, após um encontro com seu homólogo italiano, Angelino Alfano.   

A tensão entre os dois países tem se elevado nas últimas semanas por conta do aumento do número de pessoas resgatadas no Mediterrâneo. Até a manhã desta quinta-feira, 93,4 mil haviam desembarcado nos portos da Itália, um crescimento de 13,03% em relação ao mesmo período de 2016.   

Com a perspectiva de mais solicitantes de refúgio circulando pela Península Itálica, a Áustria ameaça introduzir controles na fronteira em Brennero, um discurso que coincide com a aproximação das eleições no país, marcadas para 15 de outubro de 2017.   

Por outro lado, a Itália cogita a hipótese de conceder 200 mil vistos humanitários a solicitantes de refúgio, o que daria a essas pessoas a possibilidade de viajar livremente pela União Europeia. A ideia é rechaçada pelos outros Estados-membros, principalmente pela Áustria, porém seria uma forma de forçar o bloco a participar ativamente do combate à crise migratória.   

"Se a Itália continuar com as oportunas transferências para terra firme, de onde os migrantes prosseguem rumo ao norte, não apenas sobrecarregará a Europa Central, como também os naufrágios continuarão ocorrendo", justificou-se Kurz, acrescentando que, se Roma conceder vistos humanitários, a fronteira em Brennero será bloqueada.   

Uma das principais exigências italianas é a plena implantação do programa de reassentamento estabelecido pela UE em setembro de 2015, que prevê a realocação de 39,6 mil pessoas acolhidas pelo país. Passados quase dois anos, apenas 7,6 mil moram redistribuídas, e nenhuma delas para a Áustria. (ANSA)
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