Decisão de presidente sobre governo divide italianos

ROMA, 28 MAI (ANSA) - Mensagens nas redes sociais, manifestos de juristas, tomadas de posição de prefeitos e governadores: a decisão do presidente Sergio Mattarella de impedir a posse de um professor antieuro no Ministério de Finanças dividiu a Itália.   

Nos casos mais extremos, usuários publicaram até ameaças de morte na web, evocando o caso do irmão do chefe de Estado, Piersanti Mattarella, assassinado pela Máfia em 1980. "Devemos fazer com que ele tenha o mesmo fim do irmão", dizem algumas mensagens que circulam nas redes sociais.   

Em outras, Mattarella é chamado de "ditador", tanto que a Polícia Postal começou a monitorar as redes para descobrir declarações que possam configurar crime. Para alguns, o presidente "sacrificou a democracia no altar dos mercados" ou deu um "golpe". Para outros, o único caminho é o do impeachment, já aventado pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), mas realisticamente improvável.   

Mas também são muitas as mensagens de apoio e solidariedade ao presidente, tanto à esquerda quanto à direita, rechaçando as "ameaças" à principal figura institucional do país. O clima de divisão se reproduziu na política, em todos os seus níveis.   

Em Roma, vereadores do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, expuseram uma faixa com as frases "Eu estou com Mattarella" e "Viva a Constituição". Na província de Brianza, no norte conservador da Itália, por outro lado, seis prefeitos da Liga, de extrema direita, substituíram as fotos do presidente em seus gabinetes por estatuetas de Alberto da Giussano, personagem lendário que permeia o imaginário dos nacionalistas italianos.   

Já em Turim, governada pelo M5S, vereadores do partido organizaram uma manifestação contra uma "democracia de soberania limitada". Na praça em frente ao Conselho Municipal, no entanto, mais de mil pessoas se reuniram para apoiar Mattarella.   

Um ataque duro contra o presidente partiu do governador do Vêneto, Luca Zaia, da Liga. "O presidente vestiu o papel de chefe de uma república presidencialista, mas nós somos uma república parlamentarista, e é o Parlamento que vota a confiança, não o presidente", declarou.   

Seu colega de partido e governador da Lombardia, Attilio Fontana, notório por acreditar que a existência da "raça branca" está em risco na Itália, seguiu pela mesma linha.   

"Evidentemente, a questão verdadeira não era Savona. Havia outras questões que vão além das pessoas", disse, insinuando que, ao impedir a posse de Paolo Savona no Ministério das Finanças, Mattarella estava a serviço do europeísmo.   

O contra-ataque foi protagonizado sobretudo pelo PD, grande responsável pela eleição do presidente, em 2015. "Plena solidariedade e apoio contra qualquer imposição populista", afirmou o governador do Piemonte, Sergio Chiamparino.   

"Mattarella reagiu frente a um projeto perigoso", reforçou o presidente da Sardenha, Francesco Pigliaru.   

Quem também saiu em defesa do chefe de Estado foram os industriais italianos, a Igreja Católica e um grupo de 14 juristas, críticos da ideia de que o presidente da República é uma figura "neutra, um simples notário". (ANSA)
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