Ameaçado após fama, garoto que ganhou camisa do Messi foge do Afeganistão

O menino afegão Murtaza Ahmadi, 5, comoveu as redes sociais ao aparecer vestido com uma camisa 10 da seleção argentina feita de saco de lixo, tanto que recebeu um exemplar original autografado pelo titular do uniforme, Lionel Messi. Agora, porém, a família de Murtaza foi forçada a fugir do Afeganistão.

O pai do menino conta que levou a família para o Paquistão depois de receber ameaças de sequestro, incluindo de um mafioso local que exigia dinheiro da família.

Arif Ahmadi diz que teve que sair da província de Ghazni, no Afeganistão, porque a situação estava "muito arriscada".

"Há alguns dias eu recebi um telefonema de um gângster local. Ele achava que, como meu filho ganhou essas camisas do Messi, também ganhou dinheiro e pediu uma parte", diz Ahmadi à BBC.

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A família agora está em Quetta, no Paquistão, e espera que a vida melhore - no momento, Murtaza e outras sete pessoas da família estão dividindo um único cômodo.

A primeira parada da família havia sido a capital paquistanesa, Islamabad, mas desistiu de ficar por lá por conta dos altos preços de bens e serviços na metrópole.

Fama e câmeras

Enquanto os Ahmadi se adaptam ao novo país, Murtaza, de cinco anos, tenta se esconder de equipes de televisão e praticar mais futebol.

O menino ficou famoso depois que uma foto sua vestindo a camiseta de futebol improvisada circulou o mundo pelas redes sociais, e muitas pessoas começaram a tentar identificar seu paradeiro. A BBC ajudou a localizá-lo.

Murtaza foi finalmente identificado após o tio dele, Azim Ahmadi, um afegão que vive na Austrália, intermediar o contato da BBC com o seu irmão, Arif, pai do menino.

Depois, o menino recebeu duas camisas autografadas por Messi ? uma da seleção argentina e outra do Barcelona.

Agora vivendo no Paquistão, o menino ainda espera encontrar o ídolo.

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"Messi, você sabe o quanto gosto de você. Agora quero que você me convide para que eu possa te encontrar", disse Murtaza à BBC.

Messi é um dos embaixadores da boa vontade da Unicef, o braço da ONU para a infância. O jogador afirmou que também gostaria de encontrar Murtaza, mas ainda não foram feitos planos para a visita de Messi à família.

No começo do ano, a Associação de Futebol afegã prometeu reunir os dois, fosse no Afeganistão, na Espanha ou em um outro país.

O pai de Murtaza afirmou que, até o momento, nenhuma das opções funcionou.

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