Quem é Mike Pence, o governador escolhido como vice de Donald Trump

Da BBC Brasil

  • Getty

O candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, escolheu o governador do Estado de Indiana, Mike Pence, para ser seu vice. O anúncio foi feito pelo Twitter nesta sexta-feira (15), pouco antes das 12h (horário de Brasília).

"Tenho o prazer de anunciar que escolhi o governador Mike Pence como meu vice-presidente", afirmou Trump na mensagem. Segundo ele, mais detalhes serão divulgados neste sábado, em uma entrevista à imprensa.

Inicialmente, a coletiva convocada pelo bilionário para o anúncio estava marcada para esta sexta-feira e foi adiada em respeito às vítimas do atentado em Nice, na França, que causou a morte de pelo menos 84 pessoas.

Para analistas políticos, Pence, de 57 anos, é um trunfo para que Trump conquiste as alas mais conservadoras republicanas - o candidato enfrenta resistência dos chamados "cardeais" do partido.

O governador tem a reputação de político experiente, pois além de chefiar Indiana desde 2013 foi deputado federal por 12 anos.

Pence, por sinal, pareceu ensaiar sua própria candidatura à presidência em 2009, quando fez visitas a uma série de Estados.

Em Washington, ele liderou o Republican Study Group, um bloco de políticos conservadores, e isso poderá encontrar ressonância com alas mais à direita no partido, em especial o movimento Tea Party, que ainda rejeita Trump.

Outra aposta para a escolha de Pence é que ele é um político associado ao Meio-Oeste americano, uma região identificada pela campanha de Trump como crucial na disputa por votos. Em especial o Estado de Ohio, um dos poucos entre os 51 dos EUA que não têm orientação partidária definida.

Pence, no entanto, tem uma curiosa duplicidade que o torna uma presença desconfortável para alguns republicanos. Alas mais conservadoras não gostaram quando o governador voltou atrás em sua campanha para aprovar uma polêmica lei considerada discriminatória contra a comunidade LGBT.

E a decisão de Pence de apoiar com verbas o "Obamacare" - o plano nacional de saúde promovido pelo presidente democrata Barack Obama - tampouco o transformou no republicano mais popular do país.

Outro ponto interessante é que sua popularidade em Indiana sofreu abalos - nas pesquisas mais recentes ele apareceu com apenas 40% de aprovação e viu o crescimento do rival democrata John Gregg nas projeções para a eleição para governador, que será realizada em novembro, junto com o pleito presidencial.

Pence também criou polêmica por suas ligações com a indústria tabagista nos tempos de deputado. Ele diversas vezes se opôs à legislação propondo maior controle das vendas de tabaco, invariavelmente citando estatísticas desmentindo a conexão entre fumo e o câncer.

Outra questão interessante é que Pence foi abertamente contra o plano de Trump de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA - em mídias sociais, o governador classificou como ofensivo e inconstitucional.

Ele também já expressou apoio à assinatura de acordos de livre-comércio e defendeu a invasão do Iraque, duas políticas criticadas pelo agora parceiro de chapa.

Trump, porém, precisa de um lastro político. Como nunca ocupou um cargo público, ele vê em políticos experientes como Pence uma arma para trabalhar com o Congresso.

 

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