A única vez em que o Colégio Eleitoral americano não votou pelo ganhador da eleição

  • Rembrandt Peale/Domínio Público

    Richard M. Johnson foi o único perdedor no voto eleitoral que ganhou uma eleição nos EUA

    Richard M. Johnson foi o único perdedor no voto eleitoral que ganhou uma eleição nos EUA

Donald Trump precisa passar por mais uma etapa para ser proclamado presidente dos Estados Unidos: a votação do Colégio Eleitoral desta segunda-feira.

O republicano ganhou a eleição em novembro passado, conquistando a maioria dos delegados do Colégio ao obter a maioria dos votos de seus respectivos Estados, ainda que a democrata Hillary Clinton tenha vencido no voto popular por mais de 2,8 milhões de diferença.

Isso se deve à fórmula da escolha presidencial no país, onde a votação é indireta. Cada Estado tem um número fixo e distinto de delegados - mais ou menos proporcional a sua população.

Quem levar a maioria simples dos votos, leva todos os delegados do Estado. Os cidadãos elegem os 538 membros do Colégio Eleitoral, que, por sua vez, escolhem e formalizam o ganhador da disputa.

Tudo indica se tratar de um mero trâmite burocrático, já que a tendência é sempre que os delegados sigam a indicação de quem os elegeu.

No entanto, não seria inédito que o perdedor da primeira etapa da corrida não seja confirmado como o grande vencedor na derradeira.

Surpresa

O normal é que delegados cumpram o mandato conferido pelas urnas, ainda que possa haver casos isolados de quem se negue a apoiar o candidato indicado pelo voto popular - os chamados "eleitores sem fé".

Mas, há 180 anos, entrou para a história o caso do candidato a vice-presidente que perdeu no Colégio Eleitoral mesmo depois de ganhar nas urnas votos eleitorais suficientes.

Em 1836, o candidato do Partido Democrata-republicano Martin van Buren venceu a corrida pela Presidência tanto no voto popular quanto no eleitoral, obtendo cerca de 60% dos delegados do Colégio Eleitoral, ainda que sua vantagem nos votos em geral tenha ficado pouco acima de 50%.

Mas seu companheiro de chapa, Richard Mentor Johnson, não se saiu tão bem. Segundo o Arquivo dos Estados Unidos, 23 delegados do Estado de Virginia se negaram a respaldá-lo. O motivo seriam acusações de que ele teria filhos com uma mulher negra, de acordo com a ONG Fair Vote.

Assim, Johnson não obteve a maioria necessária no Colégio Eleitoral, mas ele acabou tornando-se vice-presidente quando o Senado invocou a 12ª emenda da Constituição: se nenhum candidato tem a maioria dos votos, o Senado escolhe entre os dois nomes mais votados.

Johnson havia passado as três décadas anteriores fazendo amigos - e inimigos - no Congresso e foi confirmado no cargo.

O congressista também participou da guerra entre os Estados Unidos e o Reino Unido, entre 1812 e 1815. Nela, esteve na Batalha do Tâmisa, no Canadá Britânico, em 1813, e teria matado Tecumseh, o chefe do povo shawnee, que se opunha à ocupação de suas terras.

Adversários de Johnson no Congresso alegaram dúvidas sobre que essa façanha, já que os restos do líder indígena nunca foram identificados .

Improvável

Nesta segunda-feira, o Colégio Eleitoral voltará a se reunir. Trump espera receber 306 votos, enquanto Clinton deverá ter 232, de acordo com os resultados de novembro. São necessários 270 para ser eleito.

No entanto, alguns delegados já se manifestaram dizendo que não apoiarão o candidato de seus partidos.

Um deles foi Christopher Suprun, do Texas, que publicou um texto no jornal The New York Times afirmando que a lei indica que ele deve seguir sua consciência e que ela aponta que Trump não está apto a ser presidente.

Mas alguns Estados têm leis que obrigam seus membros no Colégio Eleitoral a seguir o voto popular e, como diz o Arquivo Nacional americano, é "raro" que delegados votem em outro nome do que o indicado pelos eleitores do seu Estado e, "ao longo da história da nação, mais de 99% dos delegados" cumpriram essa indicação.

Portanto, apesar de já haver um precedente, é improvável que o republicano não seja eleito o 45º presidente americano.

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