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Ex-presidente do Peru é preso nos EUA acusado de envolvimento em esquema da Odebrecht

16/07/2019 19h12

Antes considerado foragido, Alejandro Toledo comandou o país de 2001 a 2006. A prisão faz parte do processo de extradição dele para o Peru.

O ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, que comandou o país de 2001 a 2006, foi preso nos Estados Unidos para que seja cumprido um "mandato de extradição". A informação foi divulgada pela Procuradoria peruana nesta terça-feira (16).

A detenção visa obrigar Toledo, segundo procuradores peruanos, a comparecer a sua "primeira audiência com as autoridades judiciais dos EUA, como parte de um processo cujo objetivo é conseguir o retorno dele ao país".

O ex-presidente é alvo de dois mandados de prisão sob acusação de ter recebido suborno de US$ 20 milhões (cerca de R$ 75 milhões em valores nominais) da construtora brasileira Odebrecht. Toledo é acusado também de ter praticado lavagem de dinheiro, que é o crime de dar aparência legal a recursos de origem ilícita. O caso ficou conhecido no Peru como "Ecoteva".

Há também um mandado de prisão contra sua mulher, Eliane Karp, também por acusação de lavagem de dinheiro.

Toledo e Karp negam todas as acusações. Ambos vivem na Califórnia desde o início de 2017, época em que a Justiça peruana emitiu os mandados de prisão.

Suspeitas de pagamentos milionários

Ex-diretor da Odebrecht no Peru, o engenheiro baiano Jorge Barata disse aos procuradores do país andino que a construtora pagou US$ 20 milhões a Toledo em troca de contratos de concessão de dois trechos da Rodovia Interoceânica Sul, uma estrada binacional que liga o Brasil ao sul do Peru, partindo do Estado brasileiro do Acre.

https://twitter.com/FiscaliaPeru/status/1151196224307060742

O contrato com a Odebrecht para essas obras foi fechado em 2005.

Em junho deste ano, o empresário peruano-israelense Josef Maiman afirmou aos procuradores peruanos que tinha recebido US$ 25 milhões da Odebrecht - e que esse dinheiro seria, na verdade, suborno para Alejandro Toledo.

O caso, que ficou conhecido como "Ecoteva", veio a público em 2013, quando investigadores peruanos descobriram a compra de uma casa e um escritório em Lima por cerca de US$ 5 milhões em nome da sogra de Toledo, Eva Fernenburg. As propriedades foram adquiridas com o dinheiro de uma empresa na Costa Rica, chamada Ecoteva.

As autoridades suspeitam que o dinheiro que pertencia oficialmente à Ecoteva seja fruto de corrupção, e que a empresa tenha sido usada para lavar os recursos.

Como o escândalo da Odebrecht atingiu o Peru

Em dezembro de 2016, o Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos tornou público o acordo de leniência fechado com a empreiteira brasileira Odebrecht e com a Braskem - empresa petroquímica fruto de uma parceria da Odebrecht com a Petrobras.

No documento, a Odebrecht admitiu ter pago cerca de US$ 29 milhões em propinas a autoridades peruanas entre 2005 e 2014. Estes pagamentos teriam resultado em benefícios de US$ 143 milhões para a empreiteira no mesmo período.

No fim de 2016, o governo peruano decidiu proibir a participação da Odebrecht em obras públicas naquele país - o que forçou a empreiteira a colaborar com as autoridades peruanas.

Em fevereiro de 2019, a empreiteira finalmente assinou um acordo de colaboração com os promotores da Lava Jato no Peru, no qual se comprometeu a fornecer informações e pagar uma indenização de cerca de US$ 230 milhões.

Além de Peru e Brasil, a empreiteira admitiu à Justiça dos Estados Unidos ter pago propinas em mais dez países, na África e América Latina, no total de US$ 788 milhões. Brasil e Peru são os países onde as investigações mais avançaram.

Quatro ex-presidentes envolvidos

Com a detenção de Alejandro Toledo, chega a quatro o número de ex-presidentes peruanos que foram alvos de mandados de prisão decorrentes do escândalo da Odebrecht. Todos negam as acusações.

Em abril deste ano, Alan García (2006-2011), cometeu suicídio ao saber que seria preso preventivamente em razão de suspeitas de envolvimento no escândalo.

No caso de García, a Promotoria peruana investigava o ex-presidente por ter "um papel importante" na execução do metrô de Lima, obra na qual a Odebrecht teria pago propinas.

Entre as suspeitas contra García, estava o recebimento de US$ 100 mil da Odebrecht por uma palestra dada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em 2012. Na ocasião, o peruano falou sobre comércio e investimentos externos.

Também em abril, o braço peruano da Lava Jato também resultou na prisão preventiva de outro ex-presidente do país, Pedro Pablo Kuczynski, em decorrência das investigações.

Kuczynski elegeu-se presidente do Peru em 2016, para um mandato que deveria continuar até 2021 - ele acabou renunciando em março de 2018 por causa das acusações, que ele refuta.

Segundo documentos da inteligência peruana, empresas ligadas a PPK teriam recebido dinheiro da Odebrecht e repassado as quantias para a conta do presidente.

As transferências teriam sido feitas entre 2005 e 2016, quando PPK foi ministro da Economia, primeiro-ministro e candidato presidencial, segundo reportagem do El Comercio, de Lima.

Finalmente, Ollanta Humala, que governou o Peru entre 2011 e 2016, foi preso preventivamente no ano passado e hoje aguarda julgamento em liberdade.


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