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Os carros de luxo confiscados de filho de presidente africano e leiloados por US$ 27 milhões

Em meio à coleção de carros de luxo de Teodorín, havia um Lamborghini Veneno Roadster de 2014 - Reuters
Em meio à coleção de carros de luxo de Teodorín, havia um Lamborghini Veneno Roadster de 2014 Imagem: Reuters

30/09/2019 11h51

Os carros de luxo que foram a leilão no domingo em Cheserex, na Suíça, poderiam ser "a joia de qualquer coleção".

Mas pelo menos 25 pertenciam a um único dono: Teodoro "Teodorín" Nguema Obiang, vice-presidente da Guiné Equatorial, e filho do presidente do país africano.

Os veículos foram apreendidos pelas autoridades suíças em 2016 como parte de uma investigação de corrupção contra Teodorín.

O leilão da coleção de automóveis - que incluía Lamborghinis, Ferraris, Bentleys e Rolls Royces - arrecadou cerca de US$ 27 milhões no total.

Os carros de luxo foram leiloados em um clube de golfe de Cheserex, perto de Genebra, na Suíça - Reuters - Reuters
Os carros de luxo foram leiloados em um clube de golfe de Cheserex, perto de Genebra, na Suíça
Imagem: Reuters

Um acordo prevê que cerca de US$ 23 milhões sejam destinados a projetos sociais na Guiné Equatorial.

Quase 76% da população do país, que era colônia espanhola até 1968, vive na pobreza, apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo da África.

O pai de Teodorín, Teodoro Obiang Nguema, governa a Guiné Equatorial desde 1979.

O governante é acusado por organizações internacionais de violação dos direitos humanos, que iriam desde execuções extrajudiciais e tortura a prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos.

Que carros foram leiloados?

Um comprador anônimo pagou US$ 8,3 milhões por um dos veículos mais "raros e notáveis" da coleção de Teodorín: um Lamborghini Veneno Roadster de 2014.

Entre os carros leiloados, estavam Lamborghinis, Bugattis, Ferraris, Bentleys, Aston Martins e Rolls Royces - EPA - EPA
Entre os carros leiloados, estavam Lamborghinis, Bugattis, Ferraris, Bentleys, Aston Martins e Rolls Royces
Imagem: EPA

Trata-se de um novo recorde mundial para um Lamborghini vendido em leilão, segundo a casa de leilões britânica Bonhams.

O lance final para comprar o automóvel, que chega a 354 km/h e foi lançado no aniversário de 50 anos da Lamborghini, foi cerca de 50% maior do que a estimativa de pré-venda.

Um Aston Martin One-77 Coupe, descrito como um "verdadeiro foguete" pela casa de leilões, foi vendido por US$ 1,5 milhão.

O leilão dos carros de luxo de Teodorín arrecadou cerca de US$ 27 milhões no total - EPA - EPA
O leilão dos carros de luxo de Teodorín arrecadou cerca de US$ 27 milhões no total
Imagem: EPA

Esse carro tinha a seguinte inscrição gravada: "Feito à mão na Inglaterra para Teodoro NGuema Obiang Mangue", conforme informou a Bonhams.

"Ver todos (esses veículos) juntos é realmente extraordinário", afirmou à BBC Lynnie Farrant, representante da Bonhams.

De acordo com Farrant, os automóveis despertaram o interesse de colecionadores de todo o mundo, especialmente da Europa e do Oriente Médio.

O agente de um colecionador de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, comprou vários carros, segundo a agência de notícias Reuters.

Os veículos foram confiscados pelas autoridades suíças como parte de uma investigação contra Teodorin - Reuters - Reuters
Os veículos foram confiscados pelas autoridades suíças como parte de uma investigação contra Teodorin
Imagem: Reuters

Cerca de 50 outros automóveis - de proprietários diferentes - também foram vendidos no mesmo leilão.

Entre esses veículos, estava um Aston Martin Lagonda de 1956, que pertencia ao falecido Claude Nobs, fundador do Montreux Jazz Festival.

Cerca de US$ 23 milhões arrecadados serão destinados a projetos sociais na Guiné Equatorial - Reuters - Reuters
Cerca de US$ 23 milhões arrecadados serão destinados a projetos sociais na Guiné Equatorial
Imagem: Reuters

Quem é 'Teodorín' Nguema Obiang?

Mais conhecido como Teodorín, o filho do presidente da Guiné Equatorial tem 51 anos.

Foi assessor do pai e ministro da Agricultura, antes de ser nomeado segundo vice-presidente, em 2012, e vice-presidente, em 2016.

A Constituição do país prevê que, em caso de morte do presidente, ele deve assumir o cargo.

Teodorín é conhecido por compartilhar seu estilo de vida extravagante nas redes sociais - AFP - AFP
Teodorín é conhecido por compartilhar seu estilo de vida extravagante nas redes sociais
Imagem: AFP

É conhecido por suas excentricidades e estilo de vida luxuoso: além de carros, coleciona mansões e aviões particulares.

Um artigo de 2014 do jornal americano The New York Times descreveu Teodorín como "um empresário de música rap e bon vivant, fã de Lamborghinis e longas viagens a Hollywood e ao Rio de Janeiro".

Em outras reportagens publicadas pela imprensa internacional, Teodorín recebeu críticas por seu estilo de vida e gastos extravagantes, o que o levou a ser investigado por corrupção em diferentes países.

Em 2014, entregou às autoridades americanas uma mansão em Malibu, na Califórnia, uma Ferrari e uma coleção de objetos de Michael Jackson como parte de um acordo com as autoridades para evitar um julgamento por corrupção.

Em 2017, um tribunal francês o condenou a três anos de prisão, com efeito suspensivo, por desvio de dinheiro.

Teodoro Obiang é presidente da Guiné Equatorial desde 1979 - AFP - AFP
Teodoro Obiang é presidente da Guiné Equatorial desde 1979
Imagem: AFP

Em 2018, a imprensa brasileira informou que a Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam mais de US$ 16 milhões em dinheiro e relógios de luxo com a comitiva de Obiang no aeroporto de Viracopos, em São Paulo.

Três anos antes, a escola de samba Beija-Flor foi campeã do Carnaval carioca com um enredo polêmico por exaltar a Guiné Equatorial - rumores não confirmados afirmavam na época que o país africano teria financiado o enredo com uma quantia que variaria de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões.

As autoridades suíças estavam investigando o filho de Obiang por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos, mas arquivaram o caso em fevereiro deste ano.

Os veículos leiloados no domingo foram confiscados como parte de um acordo no qual a Guiné Equatorial concordou em pagar US$ 1,3 milhão para "cobrir as despesas processuais".

De acordo com a lei suíça, os promotores podem retirar as acusações de corrupção se os réus oferecerem uma indenização "e restabelecerem uma situação que esteja em conformidade com a lei", informou a agência de notícias AFP.

Ainda segundo a AFP, o Ministério das Relações Exteriores da Suíça supervisionará como o dinheiro arrecadado no leilão será investido em projetos sociais na Guiné Equatorial.