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Morte de George Floyd: Onda de protestos em massa desafia toques de recolher em dezenas de cidades nos EUA

Tropas de choque estão usando gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de conter protestos, que escalaram para violência em alguns lugares - Getty Images
Tropas de choque estão usando gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de conter protestos, que escalaram para violência em alguns lugares Imagem: Getty Images

31/05/2020 07h18

Toques de recolher foram ordenados em diversas cidades pelos EUA na tentativa de conter a revolta provocada pela morte de um homem negro sob custódia policial. As ordens, no entanto, foram desafiadas e, em alguns locais, houve lojas saqueadas, carros queimados e prédios atacados.

Tropas de choque estão usando gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de conter os protestos.

O presidente Donald Trump pediu "cura" pela morte de George Floyd, mas disse que não permitirá que as multidões dominem as ruas.

O acusado de assassinar Floyd, que tinha 46 anos, é um ex-policial branco de Minneapolis. Derek Chauvin, de 44 anos, deve comparecer a um tribunal amanhã.

Em um vídeo, Chauvin pode ser visto pressionando o pescoço de Floyd com o joelho por vários minutos. Floyd diz repetidamente que não consegue respirar.

Outros três policiais que acompanharam a cena também foram demitidos.

O caso Floyd reacendeu a revolta nos EUA contra assassinatos cometidos policiais contra negros. A morte acontece após episódios que tiveram visibilidade em todo o mundo, como as mortes de Michael Brown em Ferguson, Eric Garner em Nova York e outros casos — que impulsionaram a criação do movimento Black Lives Matter.

Para muitos, os protestos também refletem anos de frustração com a desigualdade e a segregação social e econômica, principalmente em Minneapolis.

Últimas notícias sobre os protestos

Grandes manifestações foram registradas em pelo menos 30 cidades nos EUA. Inicialmente pacíficos, os atos escalaram para episódios de violência a partir do final do dia, no sábado.

Uma das cidades mais afetadas é Los Angeles. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, declarou estado de emergência na cidade e acionou a Guarda Nacional — força militar de reserva que pode ser convocada para intervir em emergências domésticas.

A cidade inteira está sob um toque de recolher das 20h às 5h30. Diversas lojas foram saqueadas, inclusive nas famosas avenidas Melrose e Fairfax. Imagens aéreas mostravam incêndios em alguns lugares.

A polícia disparou balas de borracha e golpeou manifestantes com cassetetes. Centenas de pessoas foram presas.

"(Este foi) o momento mais pesado que já experimentei" desde os distúrbios de 1992, provocados pela absolvição da polícia pelo espancamento de Rodney King, afirmou o prefeito de LA, Eric Garcetti.

Em Nova York, um vídeo mostrou um carro da polícia avançando sobre uma multidão de manifestantes. O prefeito Bill de Blasio disse que a situação não partiu dos policiais.

A parlamentar Alexandria Ocasio-Cortez classificou os comentários do prefeito como inaceitáveis — e que ele não deveria usar desculpas para defender os policiais.

A prefeita de Chicago Lori Lightfoot impôs um toque de recolher das 21h às 6h até novo aviso, dizendo que estava "enojada" com a violência.

"Vi manifestantes atirarem projéteis em nossa delegacia de polícia... Garrafas de água, urina e Deus sabe o que mais", afirmou.

Em Atlanta, manifestantes permaneceram nas ruas após o início do toque de recolher, danificando propriedades e veículos. Dezenas pessoas foram presas.

Minneapolis, onde George Floyd morreu, registrou menos episódios violentos durante a noite. Cerca de 700 oficiais da Guarda Nacional estão trabalhando com a polícia e agiram rapidamente para fazer valer o toque de recolher imposto na cidade.

O jornal Star Tribune disse que a ação até o momento conseguiu controlar os distúrbios vistos na noite anterior.

Pelo segundo dia consecutivo, uma multidão de manifestantes provocou oficiais da Guarda Nacional do lado de fora da Casa Branca, em Washington, capital norte-americana.

Indianapolis foi uma das cidades onde protestos pacíficos registrados durante o dia escalaram para a violência. Pelo menos uma pessoa morreu baleada. A polícia disse que nenhum policial fez tiros.

Na Filadélfia, onde também há toque de recolher, 13 policiais ficaram feridos e pelo menos 35 pessoas foram presas enquanto lojas eram saqueadas, carros da polícia eram incendiados e edifícios eram destruídos.

O toque de recolher também foi declarado em Miami, Portland e Louisville, entre outras cidades, embora muitos tenham sido simplesmente ignorados.

São Francisco também impôs toque de recolher, anunciado pelo prefeito London Breed após saques e violência.

O que disse Trump

Na noite de sábado, Trump disse que a morte de Floyd "encheu os americanos de horror, raiva e tristeza".

"Estou diante de vocês como um amigo e aliado de todos os norte-americanos que buscam a paz", disse o presidente em um discurso transmitido pela TV em Cabo Canaveral, na Flórida, após o lançamento em órbita de dois astronautas da Nasa pela empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk.

O presidente criticou ações de "saqueadores e anarquistas", acusando-os de desonrarem a memória de Floyd. Trump pediu "cura, e não ódio, justiça, e não caos".

"Não permitirei que multidões enfurecidas dominem as ruas. Isso não acontecerá", acrescentou.

Trump culpou o prefeito de Minneapolis - do partido Democrata - por não controlar os protestos, os mais intensos desde que o presidente assumiu o cargo.

O rival do presidente no Partido Democrata, Joe Biden, o acusou de alimentar o ódio e disse que os responsáveis pela morte de Floyd devem ser responsabilizados.

Mas Biden também condenou os tumultos. "Protestar contra essa brutalidade é correto e necessário. Mas queimar comunidades e e promover destruição desnecessária não é".

Muitos prefeitos e autoridades locais tentam separar os protestos genuínos pela morte de Floyd de agitações violentas, muitas vezes culpando infiltrados pelos saques e incêndios criminosos.

Há diversos relatos de moradores tentando impedir atos de violência.

O que houve com George Floyd?

Na noite de segunda-feira, a polícia recebeu um telefonema de um supermercado alegando que George Floyd havia pago sua conta com uma nota falsa de US$ 20.

Os policiais tentavam colocá-lo em uma viatura quando ele caiu no chão, dizendo que ele era claustrofóbico.

Segundo a polícia, Floyd resistiu fisicamente aos policiais e foi algemado. O vídeo do incidente não mostra como o confronto começou.

Com o joelho do policial Chauvin no pescoço, Floyd pode ser ouvido dizendo "por favor, não consigo respirar" e "não me mate".

De acordo com uma autópsia preliminar, o policial ficou de joelhos no pescoço de Floyd por oito minutos e 46 segundos. Durante pelo menos três destes minutos, Floyd estava desacordado.

Quase dois minutos antes de Chauvin tirar o joelho, os outros policiais checam o pulso direito de Floyd. Não havia batimentos. Ele foi levado ao hospital e declarado morto cerca de uma hora depois.

A autópsia preliminar, incluída na denúncia criminal contra Chauvin, não encontrou evidências de "asfixia traumática ou estrangulamento".

O médico legista observou que Floyd tinha problemas cardíacos subjacentes e a combinação destes com a forma como os policiais o prenderam "provavelmente contribuiu para sua morte".

Chauvin foi acusado na sexta-feira de assassinato em terceiro grau e homicídio em segundo grau por seu papel na morte de Floyd.

A família de Floyd disse que queria uma acusação de assassinato mais grave e em primeiro grau, bem como a prisão dos três outros policiais envolvidos.

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