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Dona de navio que 'entalou' no Canal de Suez pede desculpas por engarrafamento marítimo

Navio gigantesco está impedindo o livre trânsito por uma das vias marítimas mais movimentadas do mundo - Cnes2021, Distribution AirBus DS
Navio gigantesco está impedindo o livre trânsito por uma das vias marítimas mais movimentadas do mundo Imagem: Cnes2021, Distribution AirBus DS

25/03/2021 16h03Atualizada em 25/03/2021 16h55

A empresa japonesa dona do navio de carga que está bloqueando desde terça (23/3) o Canal de Suez, no Egito, pediu desculpas nesta quinta-feira pelas perturbações que tem causado no comércio marítimo global.

Com 400m de comprimento (quase a altura do edifício Empire State) e peso de 200 mil toneladas, o navio Ever Given ficou encalhado diagonalmente no canal, em meio a uma tempestade de areia e fortes ventos.

O incidente provocou um enorme engarrafamento: formou-se uma fila de mais de 150 navios à espera de passar por Suez, por onde transita cerca de 12% do comércio global - uma vez que o canal conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e oferece a rota mais curta entre Ásia e Europa.

Uma rota alternativa pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África, acrescenta duas semanas às viagens entre os dois continentes.

A empresa Shoei Kisen Kaisha, dona do Ever Given, disse estar tentando solucionar a situação o mais rápido possível, mas acrescentou que a remoção do navio tem se mostrado "extremamente difícil".

Engenheiros marítimos e de resgate tentaram novamente desprender a embarcação - operada pela companhia taiwanesa Evergreen Marine e que fazia a rota da China à Holanda - nesta quinta, mas a iniciativa fracassou.

"Em cooperação com as autoridades locais e com a empresa de gerenciamento de navios Bernhard Schulte Shipmanagement, estamos tentando desencalhar (o Ever Given), mas estamos enfrentando extremas dificuldades", declarou em comunicado a Shoei Kisen Kaisha.

"Pedimos sinceras desculpas por causar tanta preocupação aos navios no Canal de Suez e aos que tentam passar por ali."

Fontes do setor disseram à agência Reuters que mesmo se o Ever Given fosse desencalhado rapidamente, sua dona e seguradoras ainda assim enfrentariam processos multimilionários pelos atrasos causados e custos extras incorridos pelas demais empresas. Também disseram que o esforço de normalização do tráfego no local pode demorar semanas.

Operação de desencalhe envolve tentar tirar a areia e a lama para soltar a embarcação - Reuters - Reuters
Operação de desencalhe envolve tentar tirar a areia e a lama para soltar a embarcação
Imagem: Reuters

Toshiaki Fujiwara, representante da Shoei Kisen Kaisha, disse à agência France Presse que o navio dispõe de cobertura de seguros, mas que, no momento, ainda não há como estimar os custos envolvidos no processo.

Uma frota de rebocadores e dragas voltaram a trabalhar nesta quinta (depois de interromper seus trabalhos durante a noite de quarta) para tentar tirar a lama e areia que deixaram o navio encalhado.

No fim da manhã, a Bernhard Schulte Shipmanagement afirmou em comunicado que fracassara uma tentativa de desencalhe feita às 8h da manhã (horário local), mas que novas tentativas ocorreriam.

"É como uma enorme baleia encalhada na areia. Tem um peso enorme sobre a areia", disse à TV holandesa Peter Berdowski, presidente de uma das empresas que estão auxiliando os esforços de desencalhe.

"Talvez tenhamos de trabalhar com uma combinação de redução do peso - removendo contêineres, combustível e água do navio - com rebocadores e dragas."

A suspensão da navegação por Suez criou uma atmosfera de incerteza e tensão entre as autoridades egípcias, explica Sally Nabil, repórter da BBC News em Ismaília, no Egito. Isso porque o canal é um ativo estratégico do país e uma fontes indispensável de recursos. Só em 2020, passaram 19 mil navios por ali, segundo a Autoridade do Canal de Suez - uma média de 51,5 por dia.

Uma possibilidade é que, se a maré no canal ficar mais alta na semana que vem, os esforços de liberação do canal podem ficar mais fáceis, mas mesmo assim será uma operação trabalhosa.

Sobre as causas do incidente, a Evergreen Marine afirmou que a principal suspeita é de que o navio "foi atingido por um forte vento, que fez o casco desviar do fluxo de água". E a Bernhard Schulte Shipmanagement declarou que investigações preliminares descartaram falhas mecânicas até agora.

Segundo a dona da embarcação, os 25 tripulantes, todos de nacionalidade indiana, estão seguros, e não houve vazamento de óleo.

Uma empresa estimou que havia 156 barcos na fila do canal nesta quinta-feira, desde navios de carga até navios petroleiros.

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