Governo somali quer permanência de tropas etíopes

da BBC, em Londres

O governo de transição da Somália disse nesta terça-feira que as tropas etíopes que expulsaram as milícias islâmicas do poder permanecerão em solo somali até que a situação no país seja estabilizada.

O primeiro-ministro somali, Ali Mohamed Ghedi, disse à BBC que isso poderia levar vários meses.

Porém o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, disse que as operações etíopes na Somália já atingiram seu objetivo e que suas tropas se retirarão na primeira oportunidade, possivelmente dentro de duas semanas.

A ofensiva de duas semanas das tropas etíopes na Somália encerrou uma ocupação de seis meses das milícias islâmicas no sul do país.

Sem capacidade

O frágil governo interino da Somália deseja que as forças da Etiópia permaneçam no país até a chegada de forças de paz internacionais, já que o governo tem poucos soldados treinados e quase nenhuma capacidade para manter a ordem e a lei sem ajuda externa.

Mas a presença das tropas etíopes no território somali também poderia prejudicar as tentativas do governo de ganhar apoio entre a população do país.

Tropas do Quênia foram deslocadas para a fronteira com a Somália para interceptar membros das milícias islâmicas em fuga após a queda de Kismayo, sua última base de apoio, na segunda-feira.

Mas testemunhas disseram ter visto dois altos líderes das milícias União das Cortes Islâmicas a 100 quilômetros de Kismayo com dezenas de picapes e homens armados. As tropas etíopes estariam tentando localizá-los.

Situação humanitária

O coordenador humanitário das Nações Unidas para a Somália, Eric La Roche, expressou sua preocupação sobre as tentativas das autoridades quenianas de fechar a fronteira.

La Roche disse à BBC que a maioria das pessoas que tentavam atravessar a fronteira são mulheres e crianças e que o contingente que estava passando para o lado queniano havia sido reduzido a um mínimo nos últimos dias.

Ele disse, porém, que a situação humanitária no país não estava tão ruim como se temia inicialmente.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras disse que negocia com o governo de transição o retorno de seu pessoal à Somália e que espera que isso possa ocorrer até a quinta-feira.

A organização havia retirado seu pessoal do país há duas semanas.

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