Olmert e Mubarak discutem libertação de prisioneiros

da BBC, em Londres

A troca de prisioneiros entre israelenses e palestinos deve ser o principal tema do encontro entre o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o premiê de Israel, Ehud Olmert, na tarde desta quinta-feira, no balneário de Sharm el-Sheikh, no deserto do Sinai.

Não há expectativa de ser anunciado agora um acordo para trocar o cabo israelense Gilad Shalit, capturado em junho e levado para a Faixa da Gaza, por um número não definido de prisioneiros palestinos mantidos por Israel, mas há indicações de que conversas neste sentido já avançaram bastante.

Outros temas também devem entrar no encontro, mas analistas dizem que evoluir na questão dos prisioneiros é essencial para criar condições de avançar em questões mais profundas.

“O Egito precisa ser bem sucedido agora para conseguir estabelecer uma posição forte de mediador na hora de tratar de outros temas”, diz o diretor-adjunto do centro de pesquisas egípcio Al-Ahram, Mohamed Said.

O governo do Egito, normalmente através de seu chefe dos serviços de inteligências, Mohamed Suleiman, costuma ter participação intensa nos contatos entre palestinos e israelenses.

Influência

O tratado de paz que o Egito assinou com Israel, o peso regional do país e seus amplos contatos com todas as facções palestinas colocam os egípcios numa posição de destaque nas negociações de paz no Oriente Médio.

Mas apesar de o presidente Hosni Mubarak não desperdiçar oportunidades de envolver seu país, a influência do Egito não tem tido grandes impactos nos últimos anos, em que a tensão cresceu quase sem parar na região.

Mohamed Said acredita que os egípcios querem conseguir algum avanço agora para aproveitar um momento em que o premier Olmert se mostra mais aberto à possibilidade de retomar negociações de paz.

“A coalizão (em Israel) do partido Kadima (de Olmert) com os Trabalhistas está em crise e o primeiro-ministro precisa de alguma coisa para mostrar. Acho que esta questão de política interna israelenses ajuda criar um momento positivo para a retomada de negociações com os palestinos”, avalia Said.

Hamas

A retomada de negociações é complicada, no entanto, pela recusa dos israelenses em negociar como o Hamas, enquanto o grupo islâmico não reconhecer de forma definitiva e inequívoca o direito à existência de Israel.

Mohamed Said acredita conseguir a libertação do cabo Shalit poderia ajudar o presidente Mubarak na estratégia de convencer Israel a conversar com um governo de unidade nacional, que seria formado pelo Hamas e pelo Fatah, do presidente moderado Mahmoud Abbas.

“Mubarak deve tentar convencer Olmert de que forçar os palestinos a novas eleições agora, que poderiam ser novamente ganhas pelo Hamas, só iria criar uma instabilidade que não ajudaria em nada”, diz.


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