EUA buscam apoiar governo e minar Al-Qaeda na Somália

da BBC, em Londres

Ao atacar combatentes islâmicos na Somália os Estados Unidos estão tentando alcançar dois objetivos.

O país quer intervir de forma decisiva do lado do governo de transição que agora está de volta a Mogadíscio e capturar três suspeitos da Al-Qaeda ligados aos ataques às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998 e a ataques contra um hotel e um avião israelenses no Quênia em 2002.

Os bombardeios aéreos foram realizados com um enorme AC-130 no sul do país onde partidários da União das Cortes Islâmicas (UCI) se retiraram sob ataque do Exército etíope e soldados do governo de transição.

Aeronaves americanas realizaram vôos de reconhecimento sobre a Somália e acredita-se que os Estados Unidos tenham apoiado as forças etíopes na recente ofensiva com informações secretas.

Ao mesmo tempo, navios de guerra americanos estão patrulhando a costa da Somália para evitar qualquer fuga pelo mar.

Objetivo

A estratégia é garantir que os combatentes islâmicos não se reúnam novamente e voltem a representar uma ameaça ao governo.

Apenas na semana passada uma declaração que seria do número dois da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, pediu que muçulmanos "se unam e ajudem os irmãos muçulmanos da Somália".

Os americanos e seus aliados etíopes e somalis temiam que uma guerra baseada em táticas de guerrilha pudesse ameaçar os esforços para estabelecer o novo governo. Eles estão determinados a impedir que o grupo União das Cortes Islâmicas retome poder.

Ao mesmo tempo há um objetivo americano mais específico por trás do ataque.

Da base de suas forças especiais em Djibouti, os Estados Unidos estão observando três suspeitos da Al-Qaeda que teriam se escondido na Somália. Eles parecem estar entre os alvos desta operação.

Os três são Fazul Abdullah Mohammed, Abu Talha al-Sudani e Saleh Ali Saleh Nabhan.

Fazul Abdullah Mohammed, de Comores, foi indiciado pela Justiça dos Estados Unidos em Nova York por participar da conspiração para atacar as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998.

Abu Talha al-Sudani, um sudanês, foi acusado recentemente pelo escritório do Diretor Nacional de Inteligência dos Estados Unidos de liderar uma célula da Al-Qaeda na África Oriental.

Saleh Ali Saleh Nabhan, do Quênia, está na lista dos procurados pelo FBI (polícia federal americana) por envolvimento no ataque a um hotel de propriedade de israelenses e numa tentativa de ataque com mísseis contra um avião israelense no Quênia em 2002.

Os Estados Unidos vêem o fim do grupo União das Cortes Islâmicas como uma boa oportunidade para tentar remover o que pensa ser uma grave ameaça da Al-Qaeda na região.

Diplomacia

Além de intervir no campo de batalha, os Estados Unidos e outros governos estão agindo para dar apoio ao governo do presidente Abdullahi Yusuf, encorajando a formação de uma força da União Africana, que possa agir como força de paz.

O Conselho de Segurança deu sua aprovação para tal força na resolução 1725 em dezembro. Isto foi antes da ofensiva etíope mas a autoridade agora pode ser imposta.

"O trabalho para o governo de transição apenas começou", disse Sally Healy, observadora da região do Chifre da África, em Chatham House, Londres.

"Ainda não se sabe se eles vão se estabelecer e podemos até ter uma volta dos líderes de milícias locais. O governo está tão fraco que a Etiópia poderá ter que ficar mais tempo do que realmente quer."

"Há muita vontade internacional para apoiar o governo federal de transição mas a questão é quando ele poderá se transformar em um governo de verdade. Uma força da União Africana já tem o apoio da ONU mas leva tempo para organizar uma força destas. Então, o governo precisa de um acordo com os clãs locais e os esforços para isto estão sendo liderados pelo primeiro-ministro Ali Mohamed Ghedi, que é do sul, ao contrário do presidente Yusuf", acrescentou.

"A ação americana não foi aleatória mas visa minimizar a probalidade de desenvolvimento de uma insurgência islâmica", afirma Healy.

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