Rio de Janeiro vive guerra não declarada, diz 'New York Times'

da BBC, em Londres

O Rio de Janeiro vive uma guerra não declarada, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal The New York Times, citando as 18.920 mortes pela violência entre o início de 2004 e outubro de 2006, segundo os dados oficiais.

“Você pode olhar para esses números de diversas maneiras: como mais de seis vezes o número de americanos mortos no Iraque desde 2003; como cerca de metade das estimadas 36 mil pessoas mortas anualmente por armas de fogo em todo o Brasil; ou como uma conseqüência da combinação da extrema riqueza com a extrema pobreza em uma área metropolitana mal policiada de 11 milhões de pessoas, tomada pela cocaína e por outras drogas”, relata a reportagem.

O texto cita uma frase de Tom Jobim para dizer que “o Brasil não é para principiantes”. “(O país) não é o que parece. Há guerras e guerras. Esta pode parecer quase invisível”, diz o jornal.

“Mais de 18 mil mortes violentas em menos de três anos é bastante. Se fosse em Bagdá, as pessoas estariam falando sobre isso. Mas a atenção do mundo é algo caprichoso”, afirma o texto.

“Os trópicos são tranqüilizadores. O sol brilha, o ritmo da bossa nova seduz, velhos hábitos mostram-se difíceis de romper. A garota de Jobim segue passando e o sangue é esquecido novamente”, conclui a reportagem.

Bombardeio à Somália

O bombardeio americano à Somália é uma tentativa dos Estados Unidos de “voltar à questão não resolvida deixada pelos piores ataques terroristas da história da África”, segundo comentário publicado nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Daily Telegraph, citando as explosões simultâneas nas embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia que mataram 257 pessoas em 1998.

“Quatro anos depois, terroristas tentaram abater um avião israelense que decolava do aeroporto de Mombassa, no Quênia. Minutos antes, seus cúmplices destruíram um hotel próximo usado por turistas israelenses, matando 14 pessoas”, complementa o jornal.

“Esses dois incidentes mostraram sem sombra de dúvida que a Al-Qaeda havia penetrado o Leste da África. A Somália, um país caótico sem um governo central e um crescete movimento islâmico, era uma base óbvia para seus membros”, diz o texto.

Para o jornal, as opções dos Estados Unidos para contra-atacar eram até agora limitadas, após a desastrosa intervenção de 1992-1993, quando 18 soldados americanos foram linchados por uma multidão após a derrubada do helicóptero Black Hawk em que viajavam.

“Com o sul da Somália dividido em feudos controlados por senhores da guerra e milícias islâmicas, os Estados Unidos não tinham aliados locais confiáveis. Isso tornava extremamente difíceis ataques aéreos ou uma ação naval”, afirma a reportagem.

Segundo o Daily Telegraph, a expulsão das milícias islâmicas de sua base ao sul do país pelo governo provisório somali, apoiado por tropas da Etiópia, tornou finalmente possível ao governo americano atacar. “Os Estados Unidos aproveitaram totalmente a oportunidade”, diz o texto.

Revolução de Chávez

A promessa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de “acelerar o que chama de revolução socialista do século 21” tem seu modelo muito semelhante “à Cuba do século 20”, afirma editorial do jornal The Washington Post publicado nesta quarta-feira, sob o título “O Passo Atrás da Venezuela”.

“Algumas pessoas verão nas ações de Chávez uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos. Certamente, aqueles que advertem que é pouco sábio contar com a Venezuela para suprir 15% das importações de petróleo dos Estados Unidos têm um argumento. Se os ativos das companhias americanas forem desapropriados sem compensação justa, a Venezuela poderia ser sujeita a sanções”, diz o jornal.

“Mas a principal ameaça representada por Chávez é aos 26 milhões de habitantes da Venezuela. Se ele cumprir suas ameaças, eles podem esperar uma liberdade cada vez menor e – se a história do socialismo serve de guia – empobrecimento nacional”, conclui o editorial.

Em um editorial de linha semelhante, o diário The New York Times diz que “Chávez – o retrato acabado do homem-forte moderno da América Latina – não está contente em exercer somente o controle político e militar quase total sobre seu país”. “Agora ele está reforçando seu controle sobre a economia venezuelana”, afirma.

“Isso é uma má notícia para os investidores estrangeiros, mas ainda mais má para os habitantes da Venezuela, que terão que pagar o preço por uma economia atormentada pela ineficiência e pela corrupção crescente.”

O britânico The Times, por sua vez, diz que “os planos para renacionalizar as principais companhias de telecomunicações e de outros serviços vai condenar as pessoas de bem da Venezuela a outro período agonizante de inflação, paralisia econômica e desemprego”.

“Nos anos 1970, Carlos Andrés Pérez nacionalizou uma série de empresas na Venezuela e colocou o país no rumo do desastre econômico. Chávez está fazendo exatamente o mesmo”, diz o jornal.

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