Mineiros brasileiros rumam a 'novo Eldorado', diz 'Guardian'

da BBC, em Londres

Reportagem publicada pelo diário britânico The Guardian nesta quinta-feira relata uma nova “febre do ouro” na Amazônia brasileira, iniciada após a descoberta de um filão no município de Apuí.

“Milhares de trabalhadores empobrecidos brasileiros estão rumando a um pequeno vilarejo amazônico após boatos da descoberta de um ‘novo Eldorado’, gerando uma desesperada corrida pelo ouro e temores ambientais”, diz o jornal.

Ao menos 3 mil pessoas teriam chegado a Apuí desde o início do ano, após traços de ouro terem sido encontrados nas margens do rio Juma, cerca de 80 quilômetros ao norte da cidade.

“Nesta semana, conforme o fluxo de mineiros continuou, uma comissão governamental viajou a Apuí, que tem uma população de menos de 20 mil pessoas, em meio a preocupações sobre destruição ambiental e focos de malária”, relata o Guardian.

Segundo a reportagem, há ainda temores de que “a súbita chegada de pessoas poderia criar uma nova Serra Pelada, uma vasta mina de ouro no Estado vizinho do Pará que chegou a atrair 30 mil trabalhadores e se tornou famosa pelas fotografias do brasileiro Sebastião Salgado”.

O jornal observa que “durante os anos 1980, dezenas de milhares de brasileiros de todo o país viajaram às minas de ouro isoladas na floresta amazônica em busca de enriquecimento rápido”, transformando os locais em “vilarejos amazônicos no estilo do Velho Oeste, onde disputas a tiros e prostituição infantil eram disseminados”.

“A maioria dessas minas foram abandonadas há muito tempo, deixando para trás cidades-fantasma no meio da floresta, acessíveis somente por barco ou pequenas aeronaves”, diz a reportagem.

Investimentos brasileiros

A compra da canadense Inco pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), por US$ 17,6 bilhões, no ano passado, exemplifica o avanço das empresas brasileiras no mercado internacional, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelo Financial Times.

“O negócio não transformou somente a CVRD e o setor global de mineração, fazendo da CVRD o segundo maior grupo de mineração no mundo em termos de capitalização”, diz a reportagem. “Ele também produziu um ano marcante para o Brasil em termos de investimento interno e externo.”

O jornal observa que em 2006, pela primeira vez, as companhias brasileiras investiram no exterior mais do que o país recebeu de investimento externo direto.

“As empresas brasileiras investiram mais de US$ 26 bilhões no exterior durante o ano, comparado com um fluxo de investimento para o país de cerca de US$ 18 bilhões – em si mesmo um pequeno aumento sobre o investimento externo direto para o Brasil nos últimos anos.”

Segundo o FT, isso é conseqüência, em parte, da busca por mercados externos por causa do baixo crescimento econômico brasileiro.

“O crescimento do produto interno bruto deve ser de menos de 3% neste ano, desanimadoramente próximo da média de 2,5% dos últimos 15 anos. Muitas grandes companhias estão sendo forçadas a buscar oportunidades de investimento no exterior.”

Plano para o Iraque

O novo plano do presidente George W. Bush para o Iraque é arriscado e poderá provocar um aumento no número de soldados americanos mortos, com poucas chances de estabilizar o país, na avaliação de um editorial publicado nesta quinta-feira pelo jornal The Washington Post.

Para o jornal, Bush “está certo em reconhecer que a estratégia americana no Iraque não está funcionando e em buscar uma política diferente” e “está certo em insistir que os Estados Unidos não podem abandonar sua missão e em rejeitar os pedidos para uma retirada rápida”.

Porém, o Washington Post defende que “o presidente poderia ter adotado um caminho que teria atraído um amplo apoio doméstico e entre os iraquianos”.

Esse caminho, segundo o jornal, seria a proposta feita pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque, “que pedia uma aceleração do treinamento do Exército iraquiano e uma transferência gradual de responsabilidade por lidar com os militantes insurgentes”.

“A presença militar americana cairia no próximo ano, mas um efetivo suficiente permaneceria para evitar o colapso do governo, combater a Al Qaeda e prevenir intervenções dos vizinhos do Iraque”, diz o editorial.

Outro editorial, publicado pelo diário The New York Times, diz que Bush teve “uma chance de parar de oferecer mais cortinas de fumaça e ser honesto com a nação, mas não a aproveitou”.

“O presidente Bush disse aos americanos na noite de ontem que um fracasso no Iraque seria um desastre. O desastre é a guerra do sr. Bush, e ele já fracassou”, diz o jornal.

Para o editorial, “os americanos precisavam escutar um plano claro para tirar as tropas dos Estados Unidos do desastre que o sr. Bush criou”, mas o que ouviram foi uma forma de o presidente ganhar tempo “e deixar sua bagunça para o próximo (presidente)”.

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