Relatório da ONU alerta para catástrofe ambiental

da BBC, em Londres

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) culpa a ação do homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental, se medidas urgentes não forem adotadas.

O documento diz que, até o fim deste século, a temperatura da Terra pode subir de 1,8ºC, na melhor das hipóteses, até 4ºC, e prevê o aumento na intensidade de tufões e secas, além de elevação no nível dos oceanos.

Essas são algumas das previsões descritas no "Resumo para os Formuladores de Políticas", que integra a primeira parte do relatório "Mudanças Climáticas 2007".

O texto foi elaborado por centenas de especialistas internacionais do IPCC e divulgado nesta sexta-feira em Paris.

Durante toda a semana, mais de 500 cientistas e representantes governamentais se reuniram a portas fechadas na sede da Unesco, em Paris, para concluir e aprovar o texto sobre as constatações científicas em relação ao aquecimento global.

Referência

As conclusões divulgadas nesta sexta estavam sendo bastante esperadas porque servirão como referência para toda a comunidade científica mundial.

E também como um importante alerta sobre o agravamento do problema do aquecimento do planeta.

O texto, destinado aos líderes políticos mundiais, foi discutido linha por linha pelos participantes da reunião em Paris.

Houve divergências em relação às palavras que deveriam ser usadas e que acabaram ocasionando a realização de reuniões noturnas suplementares para que o documento pudesse ser divulgado na data prevista.

Houve debates, por exemplo, sobre a terminologia para designar o grau de responsabilidade da ação humana no aquecimento global, um dos grandes temas deste relatório.

Alguns preferiam utilizar o termo "inequívoca", outros preferiam a expressão "além de qualquer dúvida razoável".

Mais de 130 países participaram da elaboração do documento, incluindo os Estados Unidos, que não ratificaram até hoje o protocolo de Kyoto, que impôs aos países desenvolvidos reduzirem em 5,2% suas emissões de gases de efeito estufa até 2012.

"Espero que este relatório deixe as pessoas chocadas e leve os governos a agirem com mais seriedade”, afirmou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri.

Este é o quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente para avaliar as informações científicas e sócio-econômicas sobre o aquecimento global.

O relatório anterior, de 1995, serviu de base para a elaboração do Protocolo de Kyoto, lançado dois anos depois.



Prevê-se que o quarto relatório do IPCC sirva como referência para o "pós-Kyoto", ou seja, para o compromisso dos países para após o período de 2012, quando expira o atual protocolo.



O tema será um dos assuntos centrais da reunião da ONU em Bali, na Indonésia, em dezembro próximo.

O texto integral do quarto relatório, "Mudanças Climáticas 2007", totalizará cerca de 900 páginas e será divulgado por partes até novembro deste ano.



O primeiro grupo, que analisa os elementos científicos das mudanças climáticas, finalizou seus trabalhos nesta semana em Paris.



Ainda serão divulgados os estudos sobre o impacto das mudanças climáticas e sobre as formas de controle das emissões de gases de efeito estufa.



As mudanças climáticas poderiam custar à economia mundial US$ 5,5 bilhões, o equivalente a 20% do PIB do planeta, segundo um estudo divulgado em outubro passado pelo economista britânico Nicholas Stern.

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