Num buraco quente

da BBC, em Londres

Pronto, veio o Instituto Gallup da Europa e numa pesquisa para a agência européia para a prevenção do crime, subsidiada pela Comissão Européia, descobriu que não há um único fator para explicar a queda do crime através do continente nos últimos 10 anos.

Acrescentou a pesquisa, no entanto, que a queda na proporção de jovens do sexo masculino e melhores medidas de segurança, feito alarmes nas casas e em carros, contribuíram muito.

Contribuíram muito também para aumentar a população presidiária. Mas isso é outro problema, não cabe ao Gallup ou à Comissão, as fontes burocráticas irão cuidar dele no devido tempo. Limitou-se, a pesquisa, a acrescentar que as sentenças na Europa são menos punitivas que nos Estados Unidos, e apesar disso o crime continua a cair tanto aqui quanto lá.

Fiquei na mesma. Entendo pouco de crime ou da mente dos criminosos. Gostei, no entanto, dos dados que proporcionaram manchetes no meu entender formidáveis, assim como aquela que dizia que o Reino Unido era um dos “buracos quentes” da Europa.

Na verdade, isso é maldade minha. No original é “hotspot”: lugar onde se encontra encrenca e querendo, malandro, vai nessa. A vida está cara, tem cada vez mais gente, mas é um “spot”, um paisão, danado de “hot”, caindo de “quente” – no pior sentido possível, claro.

Em miúdos

O Reino Unido é um “buraco quente” lado a lado e paulada a paulada com a Irlanda, a Estônia, a Holanda e a Dinamarca. Esses países (que decepção, Dinamarca, eu poria fácil, fácil minha mão no fogo por você) indiciam e acusam uma média de criminalidade 30% acima do resto da União Européia.

O Reino Unido, frisam eles, e eu me limito apenas a ser porta-voz da infausta notícia, é o país mais perigoso da União Européia. Sem falar do fato de que a cidade que escolhi para morar, Londres, é – quase que se pode dizer “cientificamente” – a “capital do crime da Europa”, ganhando mole, mole de Nova York e até mesmo de Istambul.

De positivo – e eu sugiro aos brasileiros que tomem nota – apenas o fato de que no Reino Unido é muito mais difícil alguém ser vítima de tentativa de suborno. Os britânicos não são ruins apenas de futebol e atletismo. Não entendem nada também de suborno.

É assim, gente… Mas não. Cala-te, boca! Já me esqueci do pouco que eu sabia de suborno, de molhar a mão, de coisas passadas por debaixo da mesa e depois – sempre, sempre – vazadas e revazadas.

Quando sugeri a meus conterrâneos tomarem nota, não foi por maldade nem insinuando nada. Foi apenas confirmando aberta e corajosamente a fama que temos de sermos não só o país do samba e do futebol, das favelas e das balas achadas e perdidas, mas também o “país capital mundial do suborno”, sendo que essas aspas aí são mero cacoete ou figa contra mau olhado ou processo.

Culpa minha não, essa fama. Vocês aí que cuidem desse troço.

Uns dados finais

Voltando à pesquisa da Gallup, de onde eu nunca deveria ter saído, acrescento que ela demonstrou ainda que a Grã-Bretanha tem a maior média de assaltos verbais que não resultam em tiro, facada ou porrada.

Ficam só na xingação, ou seja, comportamento agressivo.

E conheço esse fenômeno muito bem. Já passamos por ele, antes de ficarmos adultos. E ainda:

* É o país com o maior número de roubos domésticos da União.

* Ganha ainda no gênero “hate crime”, que nada tem a ver, please, com “crime hediondo”. É apenas, aos olhos da lei, o crime dirigido contra pessoa ou pessoas baseado em características como raça, religião, etnicidade ou orientação sexual. Coisa recente, datando dos anos 70 e que surgiu primeiro nos Estados Unidos, onde, assim como eu disse, foi definida.



* Ao lado da Estônia (aí estás tu de novo, hein, malandrinha?) e da Irlanda, cá proliferam os batedores de carteira.



De importante mesmo, é isso aí. Pessoalmente, nunca fui vítima de nada disso. Nem culpado nem vítima. Minha bandeira da neutralidade desfralda-se por cima dessa canalhice toda.

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