Reformas de Lula são 'tímidas', avalia Financial Times

da BBC, em Londres

Um editorial do jornal britânico Financial Times qualifica de "tímidas" as propostas econômicas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste início de seu novo governo.

O texto, publicado nesta segunda-feira, afirma que as recentes medidas para estimular o investimento em infra-estrutura são "muito necessárias", mas estão "longe de ser suficientes".

Se quiser alcançar outros países emergentes na Ásia, diz o jornal, o Brasil deve reformar seu "sistema de saúde absurdamente injusto", e as "antiquadas leis trabalhistas".

O jornal elogiou "elementos do programa", como medidas de expansão do crédito, incentivos fiscais para investidores e facilitação do registro de empresas, e avaliou que, "embora a promoção dos investimentos possa envolver uma pequena redução no superávit primário de 4,25%, gastos extras não representam uma ameaça fundamental à ordem fiscal".

No entanto, diz o jornal, "o presidente poderia ter sido mais corajoso. Com altos níveis de apoio popular e condições favoráveis nos mercados financeiros, este seria o momento ideal para começar uma muito esperada e necessária reforma das leis trabalhistas, algumas das quais datam dos anos 1930".

Outra seara em que o presidente "fez pouco progresso" foi a reforma previdenciária, afirma o FT.

"Muitos trabalhadores se aposentam com pouco mais de 50 anos. Para alguns grupos de privilegiados, como militares e funcionários do Judiciário, benefícios generosos às famílias se estendem por gerações."

O diário avalia que as mudanças no sistema previdenciário provavelmente serão debatidas, mas não implementadas, e supõe que a reforma trabalhista está fora da agenda. "É uma pena. Social-democratas no vizinho Chile (e na Europa) beneficiaram seus países abraçando reformas modernizantes. Lula deveria fazer o mesmo."

Equilíbrio de poder

Falando sobre a visita do subsecretário americano de Estado, Nicholas Burns, ao Brasil e à Argentina, o diário La Nación destaca o que seria uma tentativa de Washington de construir uma agenda "positiva" com esses dois países.

Em declarações na terça-feira, Burns afirmou que quer se aproximar dos dois "países amigos". Ele garantiu também que a Venezuela, cujo presidente Hugo Chávez constantemente critica o colega americano, George W. Bush, "não é um problema para os Estados Unidos".

A postura "marca uma tentativa dos Estados Unidos de cultivar uma relação fluida com o Brasil e a Argentina, independente dos projetos de liderança do governo venezuelano", diz o La Nación.

Para o também argentino Clarín, "com delicadeza, o governo americano se esmerou em tirar da agenda pública (a discussão sobre Chávez)."

Mesmo assim, afirma o jornal, o tema será tratado em reuniões entre Burns, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o futuro embaixador brasileiro nos EUA, Antonio Patriota.

Jovens na passarela

Matéria do Washington Post destaca o impacto, na cena brasileira da moda, da proibição a modelos menores de 16 anos de participar do São Paulo Fashion Week – que terminou na semana passada.

Lembrando que Gisele Bündchen começou a trabalhar com 14 anos, e que a única top model brasileira – Camila Finn – a ganhar o concurso Supermodel of the World, da agência Ford, conseguiu o feito aos 13 anos, a matéria observa: "Juventude vale, e todo mundo aqui sabe disto".

Depois da morte da modelo Ana Carolina Reston por complicações decorrentes de anorexia, no entanto, existe um movimento para evitar que meninas entrem precocemente no ramo, diz a matéria. A diretiva do SPFW é um indicativo.

Um agente de moda disse ao jornal que, imediatamente depois da proibição, a média de idade das modelos contratadas por ele subiu de 14 para 15 anos.

Na agência que a reportagem visita, nutricionistas estão sendo contratados para acompanhar as garotas, há planos de se construir uma sala de ginástica na agência, e adultos devem ser indicados para viver com as modelos e supervisionar sua alimentação.

A responsável pelo casting de outra agência disse que "muitas das garotas que assinam contratos com as agências em São Paulo são incrivelmente cruas, totalmente despreparadas para a vida na cidade grande e em uma indústria cheia de pressões e predadores".

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