Ex-líder democrata defende adoção de modelo 'brasileiro' de etanol nos EUA

da BBC, em Londres

O ex-líder do Partido Democrata no Senado americano Tom Daschle acredita que a parceria público-privada que existe na produção de etanol no Brasil deveria servir de modelo para os Estados Unidos.

''É necessário haver uma forte parceria público-privada, e o Brasil mostrou o quão bem-sucedida uma parceria assim pode ser. Nós nos Estados Unidos não temos o grau de compromisso em estabelecer esse tipo de acordo'', afirmou Daschle à BBC Brasil.

Ex-senador pelo Estado de Dakota do Sul, Daschle comandou os democratas no Senado em meados dos anos 90. Ele também integrou o Comitê de Agricultura do Senado americano e foi líder da maioria no Senado por um breve período em 2001. Atualmente, ele é professor da Georgetown University e integra o instituto de pesquisas políticas Center for American Progress, em Washington.

O Brasil e os Estados Unidos são responsáveis por 70% da produção e o consumo de etanol em todo o mundo.

Padrão técnico

Nesta quarta-feira, o novo embaixador brasileiro em Washington, Antônio Patriota, afirmou que Brasil e Estados Unidos estão negociando um padrão técnico para o etanol, o que representa o passo inicial para a transformação do álcool combustível em uma commodity internacional, que seria negociada em bolsas de mercadorias como o petróleo ou a soja.

"Não sei os detalhes dessa negociação, mas é uma evolução natural, uma questão de tempo para que isso aconteça. Ao transformar (o álcool combustível) em uma commodity, nós tornamos o mercado mais seguro'', disse Dasche.

Os Estados Unidos produzem etanol a partir de milho, ao passo que o brasileiro é obtido a partir da cana de açúcar. O ex-senador acredita ainda que é uma questão de tempo para que os Estados Unidos passem a utilizar novas fontes para obter o combustível.

Muitos críticos apontam o fato de ser derivado do milho como um dos problemas que afetam o etanol americano. Ambientalistas dizem que produtores rurais passam a ter de aumentar a produção de milho para suprir tanto os setores alimentícios como os de combustíveis. O aumento na produção estaria causando um aumento do preço do cereal e obrigando fazendeiros a abrir mão de outras culturas, em prol do milho.

'Importante, mas não exclusivo'

''Existem repercussões, à medida que passamos a usar e a depender mais do etanol. Mas acho que são efeitos de curto prazo. A meu ver, em breve vamos começar a desenvolver etanol a partir de outras fontes. O milho sempre exercerá um papel importante, mas não será um papel exclusivo'', opina Daschle.

No entender dele, os Estados Unidos também poderão se influenciar pela matéria-prima usada por produtores brasileiros.

''Estados do sul (americano), como a Flórida, já mostraram interesse em produzir etanol a partir de cana de açúcar. Quando passarmos a diversificar, poderemos usar cana, celulose e outros materiais e, assim, acabar com o dilema comida x combustível''.

O ex-senador vê outros aspectos nos quais o etanol americano ainda precisa evoluir. ''Nós ainda precisamos ir além do que chamamos de E10'', diz, em referência à versão mais difundida nos Estados Unidos do biocombustível, que apresenta uma mistura de 10% de etanol, com gasolina.

''O verdadeiro futuro do etanol será promover misturas com 40% ou 50%, até alcançarmos a marca de 85%. Mas, se isso acontecer, temos de preparar os mercados varejista e manufatureiro do país, para acomodar essas misturas'', prevê.

Daschle diz ver ''um futuro brilhante para o mercado de etanol, tanto para o Brasil como para os Estados Unidos. Temos de avançar e tentar obter um acordo que seja de interesse mútuo''.

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