Cientistas expõem pela 1ª vez brecha na proteção do HIV

da BBC, em Londres

Cientistas americanos demonstraram pela primeira vez como um anticorpo de combate a infecções consegue aproveitar uma falha na formidável defesa do vírus HIV para atacá-lo.

Segundo a equipe do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), a pesquisa pode ajudar o desenvolvimento de uma vacina contra a Aids.

Os cientistas publicaram na revista científica Nature uma imagem atômica mostrando um anticorpo b12 atacando parte de uma proteína na superfície do vírus HIV.

O vírus consegue evitar ataques sofrendo mutações constantes, mas esse segmento de proteína é considerado um ponto fraco, por permanecer estável.

“Criar uma vacina contra o HIV é um dos grandes desafios científicos do nosso tempo”, diz Elias Zerhouni, diretor do Instituto Nacional de Saúde, ao qual o NIAID está subordinado.

“Os pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e seus colegas revelaram uma falha na blindagem do HIV e assim abriram uma nova avenida na busca de uma solução para o desafio”, diz ele.

Tarefa difícil

O desenvolvimento de uma vacina contra a Aids vem se mostrando uma tarefa bastante difícil.

O vírus é capaz de sofrer mutações rapidamente para evitar a detecção pelo sistema imunológico e também é protegido por uma capa de moléculas quase impenetrável, que bloqueia o acesso dos anticorpos.

Mas certas partes do vírus precisam permanecer relativamente estáveis para que ele possa continuar a penetrar as células humanas.

A proteína gp120, que se sobressai da superfície do vírus e se ata a receptores nas células atacadas, é uma dessas regiões, tornando-a um alvo para o desenvolvimento de uma vacina.

Análise sangüínea

Análises anteriores do sangue de pessoas que haviam sido capazes de manter o HIV inativo por longos períodos revelaram um raro grupo de anticorpos – incluindo o b12 – que parecem combater o HIV com um alto grau de sucesso.

O estudo americano revelou a estrutura detalhada do complexo, formado quando o b12 se liga ao gp120.

Até agora, isso havia se provado impossível, por causa da natureza flexível de algumas das ligações químicas envolvidas.

Mas a equipe do NIAID foi capaz de reforçar suficientemente a proteína-chave para capturar uma imagem do complexo.

Eles esperam que a demonstração da estrutura dessa ligação em tanto detalhe leve a pistas sobre como melhor atacar o HIV.


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