Brasil esquece morte de João para brincar o Carnaval, diz jornal alemão

da BBC, em Londres

A morte do menino João Hélio, de 6 anos, num assalto no Rio de Janeiro na semana passada, chocou os brasileiros e provocou uma onda de solidariedade e protestos na cidade, mas será logo deixada de lado diante da alegria do Carnaval, segundo afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário alemão Stuttgarter Zeitung.

O jornal afirma que a morte do garoto “provocou uma onda de simpatia e indignação pelo Brasil”, com os pais de João Hélio “buscando dar à sua dor um sentido e sacudir a opinião pública”.

O diário cita a entrevista que os pais deram ao “Fantástico”, as manifestações de repúdio à violência em estádios de futebol, em escolas e até no tradicional Café Colombo, no centro do Rio, onde os garçons passaram a usar uma tarja preta no braço em sinal de luto.

A reportagem afirma, porém, que com a chegada do Carnaval, a tendência é um retorno à normalidade, até porque, na avaliação do correspondente, “tão violenta é a metrópole” que a sensação é de que a alta criminalidade é que é a normalidade.

“O fato de que o Carnaval possa ser por isso menos alegre e colorido é considerado impossível – até o fim de semana o público terá deixado a trágica morte tão distante que a festa poderá correr livremente”, afirma a reportagem.

Sem clima de festa

O assunto também é tema de uma reportagem do diário britânico The Daily Telegraph, que tem uma visão difrente sobre a questão.

“O Brasil deveria estar se preparando para mostrar seu lado alegre e bronzeado para o mundo neste fim de semana, quando começam os desfiles que caracterizam o Carnaval do Rio”, diz o jornal.

“Mas, neste ano, a carnificina provocada pela crescente criminalidade da cidade é tão chocante que grande parte da população não está em clima de festa.”

A reportagem observa que a maioria dos crimes está ligada à disputa entre narcotraficantes por pontos de venda, mas que “o incidente que chocou mais a população desta cidade litorânea, já acostumada à criminalidade, foi a morte de João Hélio Vieites, de 6 anos”.

O texto conclui dizendo que “as autoridades anunciaram um plano de segurança para os cinco dias de Carnaval”, com o patrulhamento dos locais turísticos com “cerca de 30 mil policiais e centenas de homens da Força Nacional de Segurança”.

“Conforme-se”

O aumento no preço do gás boliviano vendido ao Brasil representa apenas 18% do que o presidente Evo Morales pretendia conseguir, segundo reportagem publicada pelo jornal boliviano El Mundo, de Santa Cruz de la Sierra.

O assunto é o principal destaque do diário nesta sexta-feira. A capa do jornal traz uma foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversando com Evo Morales sobre a manchete “Conforme-se com esse pouquinho”.

Já o jornal El Diário, de La Paz, destaca que o acordo com o Brasil dará à Bolívia “mais de US$ 144 milhões por ano” e afirma que “o governo boliviano conseguiu avanços significativos na questão energética, já que o novo negócio com o Brasil trará ao país importantes receitas”.

Um artigo de opinião do argentino La Nación afirma que, ao aceitar o aumento de preços reivindicado pelo presidente boliviano, o Brasil “pode ter obtido créditos a médio prazo para sua aspiração a se converter em líder da região”.

O artigo observa que o governo brasileiro foi bastante criticado por sua política externa, mas afirma que “para além das críticas, o Brasil não exerce uma política imediatista – aposta que a Bolívia se torne um país sem convulsões sociais que possa beneficiá-lo no futuro”.

Comentário publicado por outro diário argentino, o Clarín, diz que “a estabilidade da Bolívia é uma questão geopolítica que deveria importar a toda a região, sem lugar para a dúvida ou cálculos políticos”.

O artigo do Clarín afirma que “desde esse ponto de vista, custa compreender a pressão do Brasil em um litígio cujo propósito inevitável é acomodar os preços do gás para que um país empobrecido não subsidie outro, particularmente a maior economia da região”.

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