Imigrantes ilegais são 'futuro' de Igreja britânica, diz estudo

da BBC, em Londres

Imigrantes, a maioria ilegais, são o futuro da Igreja Católica na Grã-Bretanha, revelou um estudo feito pela Universidade de Cambridge a pedido de autoridades eclesiásticas.

Em alguns locais do país, sobretudo em partes de Londres, missas em português e polonês estão revivendo igrejas que estavam em pleno processo de perder fiéis.

O levantamento foi encomendado pelas dioceses de Westminster, Southwark and Brentwood para indicar como as igrejas podem prover assistência aos católicos recém-chegados.

Segundo os pesquisadores, o conhecimento será útil para que as autoridades eclesiásticas saibam a extensão do medo e da situação de risco em que vive grande parte de seus fiéis.

Brasileiros

Nas dioceses analisadas, os pesquisadores descobriram que três em cada quatro imigrantes que freqüentam as missas estão ilegais.

"Sul-americanos, em particular, e entre eles os brasileiros, têm uma vida difícil em Londres", disse o porta-voz do instituto Von Hügel da Universidade de Cambridge, Francis Davis.

O estudo revelou que 40% dos latino-americanos ganham menos de cinco libras por hora, o salário mínimo britânico, sendo que as mulheres recebem em média uma libra a menos.

Uma das histórias típicas é a do brasileiro Marcos, de 50 anos, que mora no sul de Londres e trabalha como limpador em um restaurante da cidade.

Com dificuldades no inglês e sentindo-se pouco à vontade para aderir ao seu sindicato ou a associações civis, ele trabalha longas horas e divide uma casa com outras nove pessoas.

Desde que descobriu que existem missas em português, no entanto, ele passou a freqüentar a Igreja, e já pensa em fazer o curso de inglês oferecido pela paróquia.

Inserção social

Como Marcos, foram os brasileiros que revitalizaram uma paróquia prestes a ser fechada no sul de Londres. Agora, a Igreja recebe cerca de 1,4 mil fiéis a cada domingo, para missas em português.

Em outra, na ilha de Jersey, fiéis da Polônia, do Brasil e de países lusófonos da África correspondem à maioria das mil pessoas que vão à missa semanalmente.

"Nos lugares onde as missas são realizadas em outras línguas, elas estão transformando a realidade da Igreja", disse Francis Davis.

"Sul-americanos, em particular, utilizam a Igreja como meio de se inserir na sociedade. A Igreja é o local onde eles fazem amizades, procuram lugares seguros para trabalhar, se ajudam mutuamente, adquirem conhecimento."

O estudo elogiou iniciativas como a de rezar missas em outras línguas, a exemplo do culto multilingüe realizado em maio do ano passado na Catedral de Westminster e programado para maio deste ano.

Comentando as descobertas da pesquisa, o arcebispo de Southwark, Kevin McDonald, e o bispo de Brentwood, Thomas McMahon, disseram em nota:

"Os imigrantes são uma realidade muito presente da igreja Católica de Londres, e uma das muitas fontes de esperança para a igreja Católica do futuro. Do nosso ponto de vista, eles são uma fonte de esperança para o futuro da nação."

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