Cientistas tentam salvar diabos-da-tasmânia de extinção

da BBC, em Londres

Um grupo de cientistas está reunido na Tasmânia para tentar encontrar formas de combater uma doença que está ameaçando o animal que se tornou um verdadeiro símbolo da ilha australiana: o diabo-da-tasmânia.

Na última década, milhares de animais da espécie foram mortos pela doença conhecida como tumor facial do diabo.

Embora de porte relativamente pequeno, os diabos-da-tasmânia são conhecidos por sua aparência feroz, comportamento violento e gritos perturbadores.

Os animais doentes desenvolvem tumores na face que crescem tanto que podem impedir a alimentação.

Os cientistas temem que os diabos entrem em extinção se não forem tomadas providências. Outro animal famoso da ilha, o tigre-da-tasmânia, foi extinto na década de 1930.

Declínio dramático

Hamish McCallum, pesquisador da Faculdade de Zoologia da Universidade da Tasmânia, afirma que a doença tem um efeito devastador sobre os animais.

"Em todas as populações que foram infectadas, houve um declínio dramático, freqüentemente de até 90%", disse McCalllum à BBC. "E elas continuam a cair."

"Existe um risco significativo de que, a menos que façamos algo, a população se extingua dentro dos próximos dez a 15 anos, ou talvez até menos do que isso", acrescentou.

O especialista avalia, no entanto, que o povo da Tasmânia está "determinado" a não deixar o maior marsupial carnívoro do mundo desaparecer para sempre.

A doença apareceu em 57 locais diferentes na Tasmânia desde dezembro de 1996.

Recentemente, autoridades ligadas ao meio ambiente na ilha enviaram quatro colônias de animais saudáveis para zoológicos no continente.

Não se conhece a causa da doença, mas os cientistas acreditam que ela esteja se alastrando por meio de mordidas que os animais dão uns nos outros durante rituais de acasalamento.

Visão grotesca

Os diabos-da-tasmânia têm mandíbulas poderosas que podem dilacerar os ossos de animais muito maiores. Eles são conhecidos por morder uns aos outros também em lutas.

A aparência de um animal com a doença em estado avançado é grotesca, com grandes tumores na face e no pescoço, às vezes empurrando os dentes para fora e invadindo a cavidade ocular.

Os tumores dificultam a alimentação e os animais morrem cerca de seis meses após apresentarem a lesão. A forma de transmissão da doença é incomum.

Os cientistas acreditam que quando um animal doente ataca o outro, deixa células cancerosas no local da mordida.

Existe uma forma de câncer de cachorros que, segundo os cientistas, também é transmitida dessa maneira. O sistema imunológico dos cachorros, no entanto, é capaz de lidar com as células malignas.

Os autores de um relatório publicado no ano passado dizem que cruzamentos muito próximos dentro das famílias e a baixa diversidade genética na população reduz sua resposta imunológica às células cancerosas, aumentando a probabilidade de que elas se desenvolvam.

De acordo com os cientistas, não há evidências de que a doença esteja se espalhando para outros animais.

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