Líder do Hamas diz ter promessa de ajuda de europeus

da BBC, em Londres

O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, disse nesta sexta-feira, durante uma visita ao Egito, que alguns países do Ocidente deram sinais de que podem suspender o embargo imposto ao governo palestino há um ano.

Meshaal assegurou, inclusive, que alguns países europeus já teriam se comprometido a fornecer seu lote da ajuda internacional anual aos palestinos.

Ele preferiu não dizer quais seriam esses países para "não criar obstáculos durante um movimento positivo".

"Além disso, vários países árabes já enviaram ajuda financeira ao governo palestino. O dinheiro está lá, estamos apenas esperando os bancos transferirem", disse o líder do Hamas, em uma coletiva no Cairo.

Acordo de Meca

A mudança de postura, segundo Meshaal, ocorre após o acordo de Meca, em que as duas principais facções palestinas – o Hamas, que atualmente governa o país, e o Fatah, liderado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas – chegaram a um acordo sobre a formação de um governo de unidade para tentar acabar com o embargo imposto aos palestinos desde que o Hamas assumiu o poder.

"A comunidade internacional deveria formar um movimento internacional para acabar com o embargo", disse Meshaal. "Se o nosso povo não vir sinais de que isso está ocorrendo, as opções estão abertas e elas podem surpreender a comunidade internacional e Israel."

Os membros do chamado Quarteto (formado por União Européia, ONU, Estados Unidos e Rússia) anunciaram nesta quarta-feira, em Berlim, que vão esperar o novo governo palestino assumir para só então decidir se suspendem o embargo financeiro.

Na opinião do líder do Hamas, o adiamento de uma decisão a respeito do assunto "é um sinal de que a posição americana não é convincente".

Segundo Meshaal, os Estados Unidos estão dificultando os avanços para uma possível suspensão do embargo imposto ao governo palestino.

"Os outros membros do Quarteto querem fazer algumas mudanças depois do acordo de Meca, e os americanos não querem que estas mudanças ocorram", disse.

"Nós não vamos nos curvar aos americanos. Os americanos têm de mudar sua posição. Eles não podem congelar a posição da comunidade internacional", acrescentou o líder do Hamas.

Nesta quinta-feira, um relatório da ONU disse que desde o início do embargo, em março de 2006, a pobreza nos territórios ocupados aumentou drasticamente, o que faz com que quase metade dos 3,7 milhões de habitantes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza estejam propensos a ficar sem comida.

Competição

Após a visita ao Egito, Meshaal, que vive na Síria, segue para o Irã, a Rússia e o Sudão.

A viagem do líder do Hamas ocorre ao mesmo tempo em que o presidente Abbas viaja por vários países europeus para pedir o fim do embargo imposto aos palestinos.

Alguns analistas acreditam que as duas viagens podem ser vistas como uma competição entre Hamas e Fatah pela representação do povo palestino no exterior, mas Meshaal descartou esta teoria.

"Nós não estamos competindo com ninguém. Nós dois (Meshaal e Abbas) estamos em comunicação constante, informando um ao outro sobre os progressos realizados para acabar com o embargo imposto aos palestinos", disse.

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