Para analistas na China, bolsas seguirão instáveis

da BBC, em Londres

A alta de quase 4% na bolsa de Xangai, registrada nesta quarta-feira, ainda não foi suficiente para convencer analistas de que o mercado financeiro chinês deixou as incertezas para trás.

Andy Xia, analista do banco Morgan Stanley em Hong Kong, disse à BBC Brasil que a inquietação no mercado de capitais pode se estender por mais um semestre, antes que os interesses dos investidores e do governo cheguem a um denominador comum.

"É sempre assim: quando o mercado está quente, eles (o governo) falam grosso para pôr ordem; quando está frio, falam manso para atrair dinheiro", resume Xia.

O receio de que o governo venha a intervir no mercado financeiro foi reforçado por declarações oficiais e acentuou a queda da bolsa.

"Vamos melhorar nossa capacidade de regulação financeira para proteger a nossa segurança financeira e a estabilidade", disse o primeiro ministro chinês, Wen Jiabao.

Momento decisivo

A barganha entre investidores e governo terá seu momento decisivo na semana que vem, quando o chamado Congresso Nacional do Povo acontece em Pequim.

As novas políticas que saírem desse encontro de legisladores podem afetar as bolsas.

"Teme-se que o governo venha a impor taxações massivas aos investimentos financeiros como medida para esfriar o setor, que está bem aquecido", esclarece o professor Raymond So, especialista em economia da City University de Hong Kong. "E isso terá resultados imediatos."

Para So, a presente volatilidade favorece a especulação e, por isso, a oscilação deve continuar dentro das próximas semanas.

Otimismo

Dissonante, Tai Hui, economista do banco Standard Chartered, em Hong Kong, se mostra confiante.

Hui diz acreditar que o pior já passou, e que a chacoalhada nos índices financeiros foi apenas uma "rápida correção" em um mercado otimista demais e com excesso de liquidez.

"O fechamento da bolsa hoje (quarta-feira) em quase 4% é sinal de que o mercado já está recuperado", argumenta Tai.

Os três especialistas concordam que a queda na China deve respingar em outros mercados emergentes, inclusive o Brasil, mas rejeitam a sugestão de escalada para uma crise que alcance as proporções da originada na Ásia em 1997.

"A situação é muito diferente agora. Não há tanta dívida externa, e as reservas são sólidas nos países (vizinhos)", pondera o professor So.

O acadêmico avalia que, no longo prazo, a tendência da bolsa de Xangai é se valorizar, pois "a China é uma economia sólida".

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